Macron e a China

Macron e a China

O presidente da França, Macron, visitou oficialmente a China. Retribuiu, assim, a visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Paris, em março passado. Em ambos os casos Macron fez-se acompanhar de outras personalidades europeias.

Em Paris, ao lado de Macron estavam a chanceler Merkel e o então presidente da Comissão Europeia, C. Juncker. Na viagem à China Macron foi acompanhado pela ministra alemã da Ciência, Anja Karliczek, pelo comissário europeu da agricultura, Phil Hogan, e, ainda, por cerca de vinte gestores de empresas alemãs, sobretudo do setor agrícola.

A ideia de Macron é apresentar-se, face à China, como não apenas representante da França mas, também, representando a União Europeia. Só assim, de facto, pode o relacionamento com a China ser menos desequilibrado.

Os observadores apontam para duas coisas que parecem indiciar que a estratégia de Macron teve algum sucesso. A primeira foi a criação, no ministério dos Negócios Estrangeiros da China, de um diplomata encarregado das relações de Pequim com a Europa comunitária. A outra foi a conclusão, no último dia da visita de Macron (quarta-feira, 6), de um acordo entre a UE e a China sobre a proteção de produtos agrícolas com denominação de origem.

A China é o segundo destino das exportações agroalimentares da UE. O novo acordo bilateral defende a genuinidade de cem produtos europeus no mercado chinês (o vinho do Porto, por exemplo), bem como os seus tradicionais modos de produção, sendo dada igual proteção a cem produtos chineses no mercado único europeu. Quatro anos depois deste acordo entrar em vigor, a intenção é alargar o número de produtos com denominação de origem protegida a mais 175.

São pequenos passos, que importa multiplicar. A China suscita sentimentos contraditórios na Europa. Por um lado, o capital chinês é bem vindo, sobretudo em países, como Portugal, onde o capital escasseia. Por outro lado, nunca se sabe bem se as empresas chinesas se guiam por uma lógica empresarial ou se, direta e indiretamente, obedecem a interesses políticos estratégicos de Pequim.

São problemas suscitados pelo capitalismo de Estado que vigora na China, sob a direção inflexível de Xi Jinping e do partido comunista chinês, cujo controlo da sociedade chinesa tem vindo a ser reforçado.

À UE convém, naturalmente, não ficar exposta às variações de humor do protecionismo de Trump, incluindo nas relações comerciais entre os EUA e a China. Por isso a Europa deve jogar com a carta de uma maior ligação económica à China – mas sempre com uma atenta vigilância do que vai acontecendo e atuando como uma unidade.

O artigo foi publicado originalmente em Rádio Renascença.

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