As câmaras do Bombarral e Cadaval reiteraram hoje o pedido temporário de isenção de portagens na A8 e soluções provisórias até à reabertura da EN8, cortada devido ao mau tempo entre Bombarral e Torres Vedras.
“Aproximam-se a colheita da pera e as vindimas e a EN8 vai ser um obstáculo à passagem dos agricultores”, obrigados a fazer desvios de vários quilómetros nos tratores para levar os produtos às centrais fruteiras ou às adegas quando não há muito mais alternativas, alertou o presidente da câmara do Bombarral, Ricardo Fernandes, à agência Lusa.
O trânsito “aumenta significativamente nesta altura das colheitas e as alternativas não estão em condições de receber mais trânsito”, afirmou à Lusa o presidente da câmara do Cadaval, Ricardo Pintéus.
Nos últimos meses, em diversas ocasiões e iniciativas, os municípios têm vindo a pedir ao Governo a isenção de portagens na autoestrada A8, no troço entre Campelos e Bombarral, para escoar o tráfego, que vai aumentar com a circulação de tratores e de veículos de mercadorias nos próximos dois meses.
Uma vez que os tratores não podem circular na autoestrada, os municípios têm vindo a solicitar ao Governo e à Infraestruturas de Portugal soluções provisórias, como a criação, em paralelo à EN8, de uma passagem para evitar o desvio de quilómetros.
Contudo, “nenhuma reivindicação foi atendida”, lembraram.
Questionada pela Lusa, a empresa Infraestruturas de Portugal (IP), responsável pela gestão e manutenção das estradas nacionais, esclareceu que a empreitada na Estrada Nacional 8 (EN8) “se encontra em fase de contratação, prevendo-se que os trabalhos tenham início na primeira quinzena de agosto”, decorrendo durante seis meses.
Além de reconhecer que “será difícil garantir a circulação de viaturas durante a execução dos trabalhos”, a IP vai avaliar “as soluções que permitam minimizar os constrangimentos para os utilizadores da via, em particular para a atividade agrícola”.
Filipe Ribeiro, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Pera Rocha, cuja produção está localizada sobretudo nos concelhos do Bombarral e do Cadaval, lembrou que o corte da EN8 (Bombarral/Torres Vedras), da EN115 (Cadaval/Caldas da Rainha) e do acesso ao IC9 (Alcobaça) constitui um problema para a agricultura.
“Além de implicarem custos mais elevados com os desvios, as alternativas às estradas cortadas não oferecem as condições de segurança e de circulação para veículos pesados”, explicou à Lusa.
“Coloca-se também a questão de demorarem mais tempo, o que não é bom para a conservação da fruta”, acrescentou, frisando que a “criação de um caminho provisório mitigava o problema”.
O corte da EN8 tem trazido problemas também para as empresas, uma delas a Quinta do Sanguinhal, ligada à produção e comercialização de vinhos.
O gerente desta unidade, Carlos João Pereira da Fonseca, afirmou à Lusa que os veículos da empresa para fazerem o percurso entre o Bombarral, onde são feitas as vindimas, e o Outeiro da Cabeça, onde têm a adega, “têm de pagar portagens”.
Como os tratores e as máquinas que colhem as uvas não podem entrar na A8, “têm de fazer um desvio pelo Vilar com mais 15 quilómetros para cada lado face ao percurso habitual pela EN8”.
“Não é só o aumento do tempo, como também estamos a ter aumento dos custos a pagar portagens, com combustíveis e com os trabalhadores, que exigem o pagamento de mais horas por as deslocações serem maiores”, alertou o empresário.












































