Como português, consumidor e ademais agricultor, fiquei profundamente contente, para não dizer mesmo orgulhoso, com a classificação de topo, recentemente atribuída a Portugal pela prestigiada revista The Economist, no que concerne à resiliência do sistema alimentar e agrícola português; efetivamente foi atribuído ao nosso País o primeiro lugar entre os 60 países analisados, seguindo-se a França e o Reino Unido, respetivamente no segundo e terceiro lugar.
Os pontos mais fortes de Portugal respeitam à qualidade e segurança dos alimentos, bem como o elevado desempenho em saúde animal.
Destaca-se o notável consumo per capita de proteína de excelente valor nutritivo, nomeadamente: pescado – 56,5 kg (mais do dobro da União Europeia) e carne – 118kg (correspondendo 50,5 kg às aves, o que representa o dobro da média europeia). Cabe sublinhar que a quantidade de proteína de alta qualidade da dieta portuguesa obteve a pontuação máxima (100,00) atribuída pela citada revista.
Ainda entre os pontos mais fortes de Portugal, o mesmo estudo aponta a acessibilidade a uma dieta saudável para os 40% mais pobres e também a qualidade da mão-de-obra agrícola.
Ainda no que respeita à dieta dos portugueses, acresce que o consumo de fruta é dos mais elevados da União Europeia, o que se deve em grande parte à ampla disponibilidade de fruta fresca produzida no País e aos preços acessíveis da mesma. Já no que toca aos legumes o consumo é insuficiente para uma grande parte da população portuguesa.
No que à elevada segurança dos alimentos diz respeito (94,28 pontos no estudo em apreço), importa sublinhar a competência e responsabilidade dos agricultores portugueses e da indústria agroalimentar no que respeita à produção de alimentos isentos de agentes infeciosos (biológicos, como as salmonelas, ou químicos, bem como os fitofármacos ou resíduos de medicamentos). Acresce que as autoridades oficiais ligadas à segurança dos alimentos, designadamente a DGAV e a ASAE, credibilizam a segurança sanitária dos alimentos produzidos e distribuídos em Portugal.
Para além da qualidade nutritiva e da segurança sanitária dos alimentos, cumpre reconhecer o sabor da gastronomia portuguesa, fortemente associada à dieta mediterrânica, classificada como património cultural imaterial da UNESCO.
Mas, por outro lado, The Economist identifica alguns desafios para a agricultura portuguesa, com relevo para a vulnerabilidade às alterações climáticas que, na minha modesta opinião, se ultrapassam em grande parte expandido a área de regadio e otimizando o uso da água (em Portugal as perdas de água no regadio e nos meios urbanos elevam-se a cerca de 30%).
Adicionalmente é imperioso diminuir o risco de erosão, que os incêndios florestais tanto têm aumentado, pois trata-se a meu ver do nosso principal problema ambiental, com consequências muito gravosas nomeadamente para a fertilidade dos solos e para o ambiente (a perda de matéria orgânica dos solos provocada pela erosão, para além de afetar a fertilidade dos mesmos, diminui muito o sequestro do carbono atmosférico). Como medidas de prevenção recomenda-se, designadamente, a mobilização mínima do solo e a manutenção do coberto vegetal, sugerindo-se uma agricultura de precisão, suscetível de gerir as culturas de forma eficiente, designadamente no que respeita à rega, à fertilização e à defesa fitossanitária.
Ademais – e com vista a aumentar a competitividade do setor agrícola, diminuir o défice da balança agroalimentar e evitar a desertificação rural – importa providenciar para que o emparcelamento permita criar explorações agrícolas com uma área suficiente para as tornar competitivas. Recordo que, segundo o prestigiado Professor Francisco Avillez, após a adesão à CEE a superfície agrícola cultivada em Portugal reduziu-se em cerca de 1,3 milhões de hectares por falta de competitividade, o que correspondeu ao abandono de um elevado número de explorações e não raro à criação de condições favoráveis à ocorrência de incêndios rurais. Atualmente três quartos das nossas empresas agrícolas têm menos de 5 hectares de superfície agrícola utilizada.
Considerando tudo o que antecede, importa incentivar o emparcelamento, levantando inclusive barreiras legais que atualmente não permitem a identificação dos proprietários, muitos dos quais encontram-se no estrangeiro há longos anos e, entretanto, inclusivamente herdaram parcelas que nem sequer conhecem.
Engenheiro Agrónomo, Ph.D.
Melhoramento genético dos frangos de carne: importância para os consumidores e o ambiente









































