A silvopastorícia no controlo da vegetação

A silvopastorícia no controlo da vegetação

A silvopastorícia tem um papel essencial na prevenção dos fogos florestais, e ainda garante uma melhoria dos solos e o incentivo da produção pecuária.

A silvopastorícia assume-se cada vez como uma resposta para conter o crescimento descontrolado da vegetação (mato) e garantir a recuperação da fertilidade dos solos. Rebanhos de cabras, ovelhas e manadas de vacas estão a ser usados para a manutenção e limpeza dos terrenos, assumindo um papel essencial na prevenção dos fogos florestais. Um esforço no qual os proprietários florestais estão a tomar parte ativa. O que antes era uma despesa, pode passar a ser uma receita.

Os casos sucedem-se um pouco por todo o País: quem visitar a reserva da Faia Brava, junto a Figueira de Castelo Rodrigo, tem fortes probabilidades de se cruzar com a manada de garranos – cavalos semi-selvagens originários da região do Minho e Trás-os-Montes, muito comuns no Gerês – ou de vacas maronesas. Os animais vivem em estado semi-selvagem e percorrem os 800 hectares que se estendem ao longo do Vale do Côa, cumprindo um papel essencial na manutenção da paisagem e na prevenção de fogos. Mais a sul, na serra dos Candeeiros, o rebanho comunitário de cabras da Aldeia de Chãos, Rio Maior, cumpre uma missão semelhante. E o mesmo acontece em Vermelhos, na Serra do Caldeirão, onde um rebanho de cabras autóctones está na linha da frente de um projeto-piloto de prevenção de fogos florestais.

Em Arouca, a escolha da Associação Florestal Entre Douro e Vouga recaiu nas cabras, devido ao tipo de vegetação, mais adequada ao apetite voraz destes animais.

Na Chamusca, no corredor de proteção na periferia de uma das propriedades da Navigator, encontra-se desde 2017 a manada de vacas alentejanas cruzadas de limousine, que tem por objetivo assegurar a limpeza do terreno e recuperação da fertilidade do solo. “A Navigator tem áreas florestais diversas: áreas plantadas – de eucalipto, pinhais, montados de sobro e zonas ripícolas –, outras de conservação e outras ainda que são de defesa contra os incêndios. A pastorícia surgiu como uma forma de utilizar áreas que estão no perímetro das plantações e que podiam servir como barreiras ao fogo”, explica José Luís Carvalho, responsável de inovação e desenvolvimento florestal da Companhia.

No terreno da Chamusca, cercado, com 7,6 hectares, pastam entre cinco a 12 animais, consoante a época do ano e a abundância do pasto.

Uma alternativa para os proprietários florestais

Em Arouca, a Associação Florestal Entre Douro e Vouga (AFEDV) optou também por este modelo nas plantações dos seus associados. “Quisemos responder ao problema do crescimento diário do volume de combustível vegetal. Por outro lado, procurámos dar alternativas aos proprietários florestais, com outro tipo de produção”, explica Pedro Quaresma, técnico florestal da associação.

Perante a vegetação – silvas, fetos, carqueja e tojo –, a escolha recaiu nas cabras, conhecidas pelo apetite voraz, tendo sido adquiridos animais de raça bravia, já habituados a estar no terreno em autonomia.  “Outro animal não teria o mesmo tipo de abrangência. E, por outro lado, como no local as árvores já são adultas, a mortalidade que possam provocar não é significativa e até ajudam a controlar a rebentação”, explica Pedro Quaresma.

O artigo foi publicado originalmente em Produtores Florestais.

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