A indústria agroalimentar e das bebidas espera ultrapassar a barreira dos 5.000 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB) até 2030, mas é precisa uma conjugação de fatores, como a desburocratização, antecipou à Lusa a federação do setor.
“Caminhamos de uma forma sustentada para 5.000 milhões de euros de VAB, o que nos coloca numa posição importante e fundamental para a economia”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), Jorge Henriques, em declarações à Lusa.
Contudo, este objetivo que o setor espera alcançar até ao final da década está dependente de uma “conjugação de fatores” a nível nacional e internacional, como, desde logo, o fim do conflito no Médio Oriente.
A isto soma-se a nível interno a reforma do Estado, a desburocratização e a simplificação.
Se estes fatores se conseguirem agregar, existem condições para a valorização dos produtos da agricultura, para acrescentar valor, exportar e, consequentemente, diminuir as importações, acrescentou.
As projeções da FIPA indicam que, em 2025, o setor gerou cerca de 4.870 milhões de euros de VAB.
Em matéria de exportações o setor ruma “de forma muito positiva” para a sua meta dos 10.000 milhões de euros, definida antes da instabilidade geopolítica e mesmo antes da pandemia de covid-19.
“Tudo isto vai permitir que o setor crie mais emprego e assegure aos consumidores o abastecimento agroalimentar”, referiu o presidente da FIPA.
Estes são alguns dos desafios que vão estar em cima da mesa na 8.ª Conferência para a Competitividade, promovida pela federação, que terá lugar em Lisboa, na quarta-feira.
Em matéria de emprego e coesão territorial, Jorge Henriques disse que o setor das indústrias agroalimentar e das bebidas é um exemplo, uma vez que continua a crescer, contando com entre 118.000 a 120.000 postos de trabalho diretos.
Ainda assim, ressalvou “estar a caminhar” para uma situação de dificuldade de mão-de-obra especializada em áreas como a tecnologia, investigação e robotização, essenciais para uma “indústria de futuro”.
Esta indústria, conforme apontou, quer responder às necessidades dos consumidores em matérias como a segurança alimentar e questões ambientais, colocando-se Portugal “ao nível do que melhor se produz no mundo”.
Neste sentido, o setor quer estar “de forma robusta” na agenda económica dos governos, com importância, mas também com condições para que possa continuar a crescer.
“Tem faltado um desígnio para mudar o ciclo económico, criar riqueza e condições para que Portugal se possa afirmar no contexto europeu e mundial. Portugal não se pode dedicar a tudo, tem de se especializar e o setor agroalimentar e das bebidas tem demonstrado resiliência e respondido sempre da primeira linha”, vincou.
De acordo com o programa, na 8.ª Conferência para a Competitividade estarão presentes, além do presidente da FIPA, o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal, Armindo Monteiro, o presidente executivo do Banco Português de Fomento, Gonçalo Regalado, o presidente da Portugal Foods, Amândio Santos, entre outros.
Constituída em 1987, a FIPA é uma associação privada sem fins lucrativos, que representa o setor a nível nacional e na Europa.













































