O presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA) defendeu que o setor tem funcionado como uma espécie de “amortecedor” do impacto causado pelo conflito no Médio Oriente, mas avisou que esta situação não pode ser eterna.
“Temos absorvido muitos dos impactos e de toda a ordem. Somos uma espécie de amortecedor, mas isto tem um fim. Não se pode prolongar eternamente”, afirmou o presidente da FIPA, Jorge Henriques, em declarações à Lusa, a propósito da 8.ª Conferência para a Competitividade, organizada pela federação.
Assim, pediu que os diferentes obstáculos sejam antecipados, nomeadamente em matérias como custos de contexto, burocracia, simplificação e reformas, de modo a responder aos desafios impostos pelo contexto mundial.
Caso o conflito iniciado em 28 de fevereiro com o ataque dos EUA ao Irão não se resolva nos próximos dois meses, o setor poderá verificar uma “dificuldade enorme” no abastecimento das matérias-primas, nomeadamente fertilizantes.
Apesar de ressalvar que a campanha de 2026 não vai ser afetada, sublinhou não ser possível dar a mesma garantia relativamente à do próximo ano.
“A Europa tem de definir uma estratégia clara para assegurar a segurança alimentar, o abastecimento, uma política de ‘stocks’ de matérias e dos próprios produtos. Isto é algo de que se tem vindo a falar, mas que não está plenamente definido”, vincou.
Ainda sobre esta matéria, o presidente da FIPA alertou para o impacto do conflito na escalada dos preços dos combustíveis e da energia, necessários para o funcionamento das fábricas e das frotas, notando que a fatura que, atualmente, chega à indústria é, na maior parte das circunstâncias, “absolutamente insuportável”.
A 8.ª Conferência para a Competitividade vai realizar-se, na quarta-feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, dedicada o tema “O valor acrescentado da indústria agroalimentar”.
De acordo com o programa, estarão presentes, além do presidente da FIPA, o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal, Armindo Monteiro, o presidente executivo do Banco Português de Fomento, Gonçalo Regalado, o presidente da Portugal Foods, Amândio Santos, entre outros.
Constituída em 1987, a FIPA é uma associação privada sem fins lucrativos, que representa o setor a nível nacional e na Europa.












































