A Ucrânia propôs hoje uma parceria entre 11 universidades do país e a Universidade Joaquim Chissano, em Moçambique, para desenvolver intercâmbio académico, investigação, agricultura, tecnologia e formação.
A proposta foi apresentada pelo embaixador ucraniano em Moçambique, Rostyslav Tronenko, durante uma palestra realizada no campus da Universidade Joaquim Chissano (UJC), antigo Instituto Superior de Relações Internacionais, em Maputo, dedicada às relações entre os dois países e aos desafios da segurança internacional.
Tronenko disse que o Ministério da Educação e Ciência da Ucrânia já disponibilizou à embaixada uma lista de 11 universidades de diferentes regiões do país interessadas em estabelecer relações com a instituição moçambicana, incluindo programas de mobilidade de estudantes, docentes e investigadores, investigação conjunta e bolsas de estudo.
“Queremos compartilhar conhecimento, tecnologias digitais e tecnologias de drones para serem usadas na agricultura (…) e fortalecer a capacidade produtiva”, disse o diplomata, defendendo que a cooperação deve resultar em projetos concretos nas áreas da agricultura, segurança alimentar, tecnologia, saúde, energia e educação.
O embaixador considerou ainda que a aproximação entre universidades pode contribuir para reforçar as relações bilaterais através da criação de projetos conjuntos, conferências, intercâmbio académico e científico e ligações entre instituições de investigação e empresas dos dois países.
“A Ucrânia tem competências reconhecidas em agricultura, máquinas e equipamentos agrícolas, máquinas de mineração, tecnologias agroindustriais, produtos alimentares, engenharia, tecnologia e soluções digitais”, afirmou Tronenko, apontando também potencial para cooperação nas áreas do gás, infraestruturas, segurança energética e energias renováveis.
Segundo o diplomata, a parceria deverá ajudar a transformar recursos naturais em benefícios económicos e sociais, através da criação de emprego, desenvolvimento tecnológico e formação de jovens, defendendo que as relações entre os dois países não devem limitar-se à diplomacia institucional.
O professor da UJC Berno Kunchenje considerou a proposta uma oportunidade para reforçar a cooperação académica e recordou que existem antecedentes de colaboração com instituições do território ucraniano desde o período da antiga União Soviética, incluindo na formação de quadros moçambicanos.
“É uma oportunidade”, afirmou Kunchenje, acrescentando que a cooperação académica deverá seguir os procedimentos institucionais através do Ministério da Educação e Cultura, mas reconhecendo o interesse da universidade e do país nas áreas técnicas apresentadas pelo diplomata.
A intervenção de Tronenko ocorreu também por ocasião do 35.º aniversário da independência da Ucrânia, proclamada em 24 de agosto de 1991, após a dissolução da União Soviética, durante a qual o diplomata destacou as raízes históricas do Estado ucraniano, anteriores à independência moderna.
O embaixador abordou igualmente a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, que se intensificou em 24 de fevereiro de 2022, após o conflito iniciado em 2014 no leste da Ucrânia, incluindo a Crimeia e o Donbass, defendendo a importância do direito internacional, da soberania e da integridade territorial dos Estados.
Tronenko afirmou que, apesar da guerra, a Ucrânia pretende reforçar a sua presença em África, considerando Moçambique um parceiro estratégico, e defendeu uma agenda bilateral de longo prazo assente no diálogo, cooperação, desenvolvimento, conhecimento e resultados concretos.












































