A APROSERPA – Associação de Agricultores da Margem Esquerda do Guadiana exigiu hoje ao Ministério da Agricultura e Mar o agendamento, com caráter de máxima urgência, de uma reunião técnica presencial até meados da próxima semana.
Em causa está a situação de forte pressão económica vivida pelas explorações agropecuárias da região, confrontadas simultaneamente com a escalada do preço do gasóleo agrícola e com uma quebra severa na campanha de cereais de sequeiro.
Caso não exista resposta ao pedido dentro do prazo indicado, a associação admite avançar para outras formas de luta em defesa da sobrevivência económica das explorações e do território.
«O TRATOR NÃO É UM VEÍCULO DE LAZER»
No documento técnico «GASÓLEO AGRÍCOLA: O CUSTO ENERGÉTICO DE PRODUZIR ALIMENTOS EM PORTUGAL», formalmente remetido à tutela, a APROSERPA procura demonstrar a dimensão do custo energético associado à produção agrícola.
A associação sublinha uma realidade elementar: «Nenhum agricultor coloca uma máquina agrícola a trabalhar nem consome gasóleo por desporto. O trator não é um veículo de lazer. Cada litro consumido é um fator de produção necessário para produzir alimentos.»
Com base em consumos registados em ensaios normalizados OCDE de dois tratores agrícolas de gama média, o documento apresenta uma hipótese ilustrativa de uma jornada de oito horas de trabalho em condições de elevada solicitação.
Nesse cenário:
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Dois tratores podem consumir cerca de 325 litros de gasóleo numa jornada de oito horas;
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Esse volume corresponde, em termos meramente ilustrativos, ao necessário para um automóvel ligeiro diesel, com consumo de 5,5 L/100 km, percorrer aproximadamente 5.900 km;
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Ao preço médio de referência considerado no documento, o combustível representa cerca de 542 € num único dia;
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Na região de Beja foram já comunicados à APROSERPA preços efetivamente faturados de 1,68 €/L e preços de tabela até 1,73 €/L.
Durante operações exigentes de preparação das terras para as sementeiras — designadamente mobilizações, gradagens, escarificações ou subsolagens — os tratores podem trabalhar durante várias horas sob cargas elevadas, aproximando os consumos reais dos valores utilizados na demonstração.
O PREÇO DA ENERGIA NÃO FICA NO CAMPO
A APROSERPA alerta que o problema ultrapassa largamente o depósito do trator. O combustível intervém na preparação do solo, sementeira, colheita, produção de cereais e forragens, alimentação animal e transporte da produção. Depois da exploração continuam a existir custos energéticos associados ao transporte, transformação, armazenamento, logística e distribuição.
Por isso, aumentos persistentes do custo da energia podem repercutir-se ao longo da cadeia alimentar, seja através da redução das margens dos produtores, da perda de competitividade da produção nacional ou da transmissão parcial de custos aos restantes operadores e ao consumidor.
A situação assume particular gravidade numa campanha marcada por quebras severas na produção de cereais de sequeiro, diminuindo a disponibilidade de alimento produzido nas próprias explorações e aumentando a vulnerabilidade económica dos produtores pecuários.
APROSERPA QUER RESPOSTAS CONCRETAS
No documento entregue ao Governo, a associação não se limita a identificar o problema. Entre outras medidas, propõe a avaliação de um mecanismo automático de estabilização do preço do Gasóleo Colorido e Marcado, o reforço temporário do apoio em períodos de aumentos excecionais dos custos energéticos, a monitorização dos preços efetivamente pagos pelos agricultores e uma diferenciação que considere as especificidades dos territórios de baixa densidade.
A APROSERPA considera que o custo do gasóleo agrícola deve ser encarado não apenas como uma questão energética ou fiscal, mas como um fator diretamente relacionado com a competitividade da agricultura portuguesa e a capacidade produtiva e segurança alimentar do país.
PRAZO ATÉ MEADOS DA PRÓXIMA SEMANA
Na sequência do contacto estabelecido pelo Gabinete do Ministro da Agricultura e Mar na passada sexta-feira, a APROSERPA formalizou agora a urgência de uma resposta através do envio deste documento e do pedido de reunião técnica presencial.
Do processo foi igualmente dado conhecimento à Vice-Presidência da CCDR Alentejo com responsabilidade pela área da Agricultura.
A Direção da APROSERPA considera que a capacidade de resistência económica de muitas explorações está a atingir o limite. Caso o pedido de reunião não seja atendido dentro do prazo indicado, a associação admite avançar para outras formas de luta, mantendo como prioridade uma solução através do diálogo institucional.
«Produzir alimentos em Portugal tem um custo. Deixar de os produzir pode ter um custo ainda maior.»
Documento anexo: «GASÓLEO AGRÍCOLA: O CUSTO ENERGÉTICO DE PRODUZIR ALIMENTOS EM PORTUGAL» (Documento técnico da APROSERPA com dados, metodologia, cálculos e propostas apresentadas ao Ministério da Agricultura e Mar).












































