Os 20 sapadores florestais de Vieira do Minho, distrito de Braga, parados desde abril por salários em atraso, regressam na segunda-feira ao trabalho, tendo a entidade patronal assumido o pagamento dos vencimentos em falta até final de maio.
Em declarações hoje à agência Lusa, um dos sapadores florestais contou que o presidente da Associação para o Ordenamento da Serra da Cabreira (APOSC), entidade patronal que gere as quatro equipas de sapadores florestais pediu que regressassem ao trabalho, ao que estes profissionais acederam.
Contactado na tarde de hoje pela Lusa, o presidente da APOSC confirma o regresso dos sapadores florestais ao trabalho na segunda-feira, assumindo o compromisso de que os salários de abril e de maio “serão pagos até ao final do mês de maio”.
“Na próxima semana, até ao final deste mês, terei condições para liquidação dos meses de maio e de abril. Até ao final do mês terão os ordenados pagos”, afirmou João Paulo Ribeiro.
A situação provocou uma troca de acusações entre a Câmara de Vieira do Minho e o presidente da APOSC.
Em resposta enviada à Lusa, o vice-presidente do município, Pedro Pires (PS), refere que as equipas de sapadores florestais pararam devido “à decisão unilateral da direção da APOSC, alegando falta de capacidade para assegurar o pagamento dos salários, o que constitui um manifesto incumprimento das suas obrigações perante o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas”.
O autarca refere que em 2025 a câmara transferiu para a associação 400 mil euros e que “a atual situação se deve exclusivamente a graves problemas de gestão interna da própria APOSC”.
“Para resolver o problema de forma estrutural, a câmara municipal está já a finalizar o procedimento administrativo e legal necessário para manter na autarquia as quatro equipas de sapadores florestais”, lê-se na resposta, advertindo que “a ausência de 20 operacionais especializados no terreno interrompe de forma abrupta as ações planeadas de silvicultura preventiva, que são vitais para mitigar a propagação de fogos”.
Em comunicado divulgado na quinta-feira, a APOSC acusa o vice da Câmara de Vieira do Minho de “perseguição política deliberada à associação, aos seus dirigentes e aos trabalhadores das equipas de sapadores florestais”.
“Ao longo dos últimos anos, a APOSC foi alvo de sucessivas denúncias e participações por parte do Partido Socialista para o Tribunal de Contas, Ministério Público e Polícia Judiciária. Todas acabaram arquivadas, sem qualquer consequência para a associação ou para os seus dirigentes. Falharam as tentativas de destruir a credibilidade da instituição pela via judicial e administrativa”, refere esta associação.
Contactado pela Lusa, o ICNF respondeu estar a “acompanhar com atenção a situação relativamente às equipas de sapadores florestais da Associação para o Ordenamento da Serra da Cabreira, em Vieira do Minho”, encontrando-se “a desenvolver as diligências necessárias, no âmbito das suas competências, junto da entidade gestora”.
“O ICNF está a recolher os elementos necessários junto da entidade gestora e a avaliar o enquadramento da situação, de modo a contribuir, dentro das suas competências, para a sua clarificação e para a salvaguarda da continuidade do serviço público prestado no território”, sublinha este organismo.
O ICNF frisa que “os sapadores florestais são uma peça essencial da defesa da floresta e das populações”.
“A eventual interrupção da atividade de equipas de sapadores florestais merece naturalmente acompanhamento, sobretudo numa fase de preparação para o período de maior risco de incêndio rural. O dispositivo territorial é, contudo, assegurado de forma articulada entre várias entidades, incluindo o ICNF, a proteção civil, os municípios, os bombeiros e os restantes agentes do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais”, lembra o ICNF.












































