Quercus preocupada com poluição das linhas de água

Quercus preocupada com poluição das linhas de água

“A chuva, se for pouca, não é dramático. Se houver muita chuva, criam-se compostos que degradam a água na albufeira. O problema agora depende se vai chover muito ou não”, explicou Domingos Patacho, da Quercus, à agência Lusa.

O ambientalista defendeu que as entidades competentes, sobretudo o Ministério do Ambiente e a entidade gestora de Castelo do Bode que abastece de água quase três milhões de pessoas, devem efetuar um controle e monitorização mais rigorosa a montante da albufeira, por forma a saber se há ou não impactos na qualidade da água.

Disse ainda que a questão da gestão no pós-fogo “é muito difícil de implementar” e adiantou que a solução passa por “evitar que a floresta arda. Não se pode ter monoculturas de milhares de hectares. A situação é muito difícil”.

Domingos Patacho sublinha que em Pedrógão Grande arderam milhares de hectares.

“Esse é um problema e é dramático. Inicialmente, houve a poluição do ar. Agora, há o risco de as cinzas irem para a água. É um problema a prazo”, frisou.

O ambientalista explicou que o risco da poluição das linhas de água é real e adiantou que se chover pouco “não é mau”, pois os terrenos estão secos devido à pouca pluviosidade o que facilita a absorção da água.

Caso a pluviosidade seja intensa, Domingos Patacho diz que a situação se pode tornar “dramática”.

O presidente da Administração Regional da Saúde do Centro (ARSC), José Tereso, aconselhou na terça-feira as populações das zonas afetadas pelos incêndios a beberem apenas água engarrafada e a comerem produtos dados por “instituições credíveis”.

“Bebam água engarrafada e, em termos de alimentação, devem comer produtos com garantia de qualidade por parte das instituições credíveis, com credenciais”, que andam no terreno a distribuir ajuda, disse.

Segundo José Tereso, estão no terreno “delegados de saúde e técnicos de saúde ambiental para fazerem o diagnóstico da situação e a tomada de medidas com caráter imediato e urgente”, nomeadamente a avaliação da qualidade da água de consumo e dos locais “onde possam ser cultivados produtos hortícolas para alimentação”.

Os incêndios que deflagraram na região Centro, no dia 17, provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foram dados como extintos no sábado.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios – iniciados em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, e em Góis, no distrito de Coimbra – corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

O incêndio de Góis, que também começou no dia 17, atingiu ainda Arganil e Pampilhosa da Serra, sem fazer vítimas mortais.

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