Uma equipa de investigadores de França e da Argentina desenvolveu uma estratégia de edição genética que aumenta a resistência do arroz ao vírus RYMV (Rice yellow mottle virus), uma das doenças virais mais devastadoras para esta cultura em África. O estudo aponta a edição precisa do gene eIFiso4G1 como a abordagem mais promissora para desenvolver variedades resistentes sem comprometer o crescimento das plantas.
✍️ Carla Amaro / CiB
Investigadores do Plant Health Institute of Montpellier (PHIM), em França, e da Unidad de Fitopatología y Modelización Agrícola (UFyMA), na Argentina, identificaram uma estratégia de edição genética que poderá contribuir para o desenvolvimento de variedades de arroz com resistência duradoura ao vírus RYMV.
O RYMV é uma das principais ameaças à produção de arroz em África, provocando perdas significativas nas colheitas. As fontes naturais de resistência são escassas e difíceis de incorporar nas variedades mais cultivadas, o que torna necessária a procura de novas soluções.
No estudo, os investigadores recorreram à tecnologia CRISPR-Cas9 para editar o gene eIFiso4G1. Foram testadas duas abordagens: a eliminação completa da função do gene (knockout) e a introdução de pequenas alterações específicas na sequência genética (indels).
A eliminação completa do gene conferiu um elevado nível de resistência ao vírus e, durante o estudo, não foram observadas variantes virais capazes de ultrapassar essa resistência. No entanto, estas plantas apresentaram uma ligeira redução no crescimento.
Já as plantas com pequenas alterações direcionadas no gene alcançaram níveis de resistência igualmente elevados, sem efeitos negativos no desenvolvimento da cultura. Segundo os investigadores, esta abordagem oferece o melhor equilíbrio entre proteção contra a doença e desempenho agronómico.
Os autores concluem que a edição precisa do eIFiso4G1 através de CRISPR é uma estratégia promissora para desenvolver variedades de arroz resistentes ao RYMV, contribuindo para reforçar a segurança alimentar nas regiões mais afetadas por esta doença.
Estudo disponível em Peer Community Journal.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.













































