Foto: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira OE 2021: PAN quer retirar denominação de origem protegida à carne de touro bravo e proibir o seu consumo

OE 2021: PAN quer retirar denominação de origem protegida à carne de touro bravo e proibir o seu consumo

O PAN — Partido Pessoas-Animais-Natureza vai apresentar mais de 200 propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2021 (OE 2021). Uma delas pretende a “desclassificação da carne de touro de lide como DOP e interdição da sua comercialização para consumo humano“.

“Em 2021 o Governo procede à desclassificação da “Carne de Bravo do Ribatejo” como denominação de origem protegida (DOP), passando a ser proibida a comercialização, para fins de consumo humano, de animais que tenham sido utilizados nos espectáculos tauromáquicos”, refere a proposta de alteração entregue na Assembleia da República pelos deputados André Silva, Bebiana Cunha e Inês de Sousa Real.

Recorde-se que foi em 2007 que o Agrupamento de Produtores de Bovinos de Raça Brava requereu o registo e protecção de Ribatejo como Denominação de Origem para Carne de Bravo. Só a 5 de Novembro de 2013 a União Europeia procedeu à inscrição desta denominação no registo das denominações de origem protegidas e das indicações geográficas protegidas.

Para os deputados do PAN, “a carne dos animais utilizados em espectáculos tauromáquicos (…) constitui um risco para a própria saúde pública tendo em conta que estes animais são lidados na arena com recurso a bandarilhas que não são esterilizadas nem sequer higienizadas que lhes provocam feridas profundas e abertas que são tratadas com recurso a medicamentos”.

“A classificação da “Carne de bravo do Ribatejo” como Denominação de Origem Protegida concede aos criadores maiores rendimentos mas oculta dos consumidores todo um processo sangrento, cruel e até ilegal que está patente durante o processo de criação destes animais, ou seja, durante o processo de criação deste tipo de carne. Acima de tudo a forma como estes animais são criados e a sua utilização em espectáculos tauromáquicos coloca em risco a saúde pública pelo que o consumo desta carne devia ser interdito e anulada a sua classificação como “Denominação de Origem Protegida””, acrescenta a proposta do PAN.

Carne de Bravo do Ribatejo

A “Carne de Bravo do Ribatejo” DOP é proveniente da desmancha de carcaças de bovinos da Raça Brava de Lide. “A gordura intramuscular é muito característica nestas carcaças, apresentando um aspecto geral designado por marmorização (fibras muito finas distribuídas no tecido muscular), contribuindo para a suculência, firmeza e sabor da carne. Possui cor vermelho cereja escuro e brilhante, de pH inferior a 6”, explica o site dos Produtos Tradicionais (DGADR — Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural).

E acrescenta que “a Carne de Bravo do Ribatejo DOP é utilizada para confeccionar os mais diversos manjares tradicionais da região e continua a constituir um petisco apreciado e muito cobiçado, sendo hoje um produto solicitado pelo seu nome, por muitos consumidores dentro e fora da região. A promoção do saber fazer culinário milenar que já vem dos gregos e romanos e de outras mitologias antigas, deixadas nesta região Ribatejana reforça o saber antigo e que perdura até aos dias de hoje, fazendo claramente parte do património cultural da região”.

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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