Diretor do Parque Nacional da Peneda-Gerês em tempos difíceis
A primeira menção à criação de um Parque Nacional no Gerês remonta a 1937, ao Relatório Final de Curso de Engenharia Silvícola de Francisco Mimoso Flores, “A Protecção da Natureza — Directrizes Actuais”. Nele, o autor defendeu que “As encostas cobertas de carvalhos seculares de rara beleza e hoje únicos no País deviam ser consideradas como zonas de protecção integral”.
Durante uma estadia nos EUA, Francisco Flores conheceu os trabalhos de Sir Arthur Tansley (que introduziu o conceito de ecossistema) e, pouco depois, foi o autor do primeiro texto importante relativo à proteção da natureza em Portugal. Em 1948, com a criação da Liga para a Proteção da Natureza (LPN), Flores e outros engenheiros florestais, como Caldeira Cabral e Baeta Neves, continuam a advogar a criação do primeiro Parque Nacional.
Outras vozes se juntaram – como Tude de Sousa, o primeiro Administrador Florestal do Gerês – e, com o apoio de várias figuras de Estado, Lagrifa Mendes conseguiu inaugurar o Parque a 11 de outubro de 1970 (embora a constituição oficial date de 8 de maio de 1971). Foi ele o primeiro diretor do primeiro e único Parque Nacional em Portugal, criando as diretrizes de um modelo de gestão autónomo e inovador, que introduziu, por exemplo, a ideia de diferentes níveis de proteção, como a de “parque” para a zona sem atividade humana e de “pré-parque” para a zona habitada. O objetivo era a integração harmoniosa dos residentes, dos visitantes e da conservação dos recursos naturais.
A revolução de Abril de 1974 levou ao afastamento de Lagrifa Mendes, pela sua ligação ao Estado Novo (faleceu pouco depois). Em 1975, Moreira da Silva, amigo próximo de Lagrifa, com quem tinha colaborado na criação do PNPG, deu seguimento à sua obra.
O artigo foi publicado originalmente em Florestas.pt.














































