Metade dos fogos registados até 15 de julho teve origem em queimas e queimadas

Metade dos fogos registados até 15 de julho teve origem em queimas e queimadas

Cerca de metade dos incêndios florestais que deflagraram até 15 de julho e investigados tiveram origem em queimadas e queimas, revelou esta sexta-feira o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O segundo relatório provisório de incêndios rurais do ICNF deste ano, que compreende o período de 1 de janeiro e 15 de julho, indica que, até essa data, foram investigados 70% do número total de incêndios e responsáveis por 89% da área total ardida.

O ICNF precisa que a investigação permitiu atribuir uma causa a 69% dos incêndios e responsáveis por 77% da área ardida até 15 de julho.

O mesmo documento realça que as causas mais frequentes são as queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas (25%) e incendiarismo – imputáveis (19%).

“Conjuntamente, as várias tipologias de queimadas e queimas representam 51% das causas apuradas”, precisa aquele organismo.

No relatório provisório de incêndios rurais não estão incluídos os fogos dos últimos dias, nomeadamente os que atingiram os concelhos de Vila de Rei e Mação.

Este relatório indica que, entre 01 de janeiro e 15 de julho, registaram-se 5.570 incêndios rurais que resultaram em 10.178 hectares (ha) de área ardida, entre povoamentos (4205 ha), matos (4068 ha) e agricultura (1905 ha).

Entretanto, o ICNF publica diariamente, na sua página da Internet, dados provisórios obtidos com base no Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais e que não contempla comparações com anos anteriores.

Segundo esses dados, até hoje ocorreram 6.231 incêndios florestais, que consumiram 21.332 hectares de floresta, 56% dos quais são respeitantes a área ardida em povoamentos florestais, 31% em matos e 13% em terrenos agrícolas.

A partir dos dados disponíveis, concluiu-se que entre 15 de julho e hoje arderam 11.154 hectares e deflagraram mais 661 incêndios.

O relatório do ICNF destaca que, até 15 de julho, registaram-se menos 30% de incêndios rurais e menos 53% de área ardida relativamente à média anual dos últimos dez anos.

Segundo o mesmo documento, o ano de 2019 apresenta, até ao dia 15 de julho, “o terceiro valor mais reduzido em número de incêndios e o quinto valor mais reduzido de área ardida, desde 2009”.

O ICNF indica que o maior número de incêndios, até 15 de julho, ocorreu nos distritos de Porto (895), Braga (474) e Lisboa (431), ressalvando que, qualquer um dos casos, são maioritariamente de reduzida dimensão, não ultrapassando um hectare de área ardida.

Por sua vez, o distrito mais afetado, no que concerne à área ardida, foi Beja com 1.832 hectares, cerca de 18% da área total ardida até à data, seguido de Braga com 1.260 hectares (12% do total) e de Vila Real com 1.120 hectares (11% do total).

Até 15 de julho, o mês de março foi aquele que apresentou o maior número de incêndios rurais, com um total de 1263, o que corresponde a 23% do número total registado no ano, sendo também aquele com maior área ardida, com 3.973 hectares (39% do total de área ardida).

O relatório do ICNF inclui este ano pela primeira vez uma análise à severidade meteorológica do incêndio, ou seja, distribuição dos fogos de acordo com o local e o dia, tendo em conta as temperaturas elevadas, vento forte, ausência de precipitação e humidade relativa baixa.

O ICNF conclui que o valor da área ardida real corresponde a 63% da “área ardida ponderada”, significando que “a área ardida no ano de 2019 é consideravelmente inferior à área ardida expectável tendo em conta a severidade meteorológica verificada”.

O artigo foi publicado originalmente em Rádio Renascença.

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