No dia 27 de abril foi o dia da nossa investigadora Inês Roque regressar à sua escola para dinamizar oficinas científicas com alunos do 1º ciclo, no âmbito do programa Cientista Regressa à Escola, promovido pela Native Scientists. A iniciativa levou os alunos a descobrir de onde vem a energia da coruja-das-torres, explorando conceitos relacionados com a ecologia trófica, desde a produção primária (fotossíntese) até ao topo das cadeias alimentares, através de experiências práticas e interativas.
“Fui convidada pela Native Scientists e não hesitei em aceitar, porque gosto muito de fazer divulgação de ciência em contexto escolar. Nestas idades (e já trabalhei desde o pré-escolar ao secundário) as crianças e jovens são geralmente muito participativos”, explica a investigadora. Para Inês Roque, estas iniciativas são especialmente importantes pela forma como despertam a curiosidade das crianças e aproximam os alunos do trabalho científico desde cedo. “Talvez porque gostaria muito de ter tido este tipo de oportunidades quando andava na escola”, acrescenta.
Durante as oficinas, os alunos observaram regurgitações e ossos de presas da coruja-das-torres, exploraram o processo de fotossíntese e participaram em experiências com dispositivos que transformavam sinais elétricos de plantas e pessoas em sons, ilustrando de forma interativa o fluxo de energia nos ecossistemas. As atividades contaram também com a colaboração de Ana Roque (engenheira biomédica e artista), que demonstrou como a tecnologia pode transformar a atividade elétrica das plantas em música, criando experiências sensoriais e interativas sobre circuitos biológicos e cadeias alimentares.
Segundo a investigadora, os alunos reagiram com grande entusiasmo. “Foi muito bom ver que ainda se lembravam de alguns conceitos dois anos depois”, refere, recordando que já tinha desenvolvido atividades nesta escola em 2024, no âmbito do censo nacional da coruja-das-torres. Entre os momentos mais marcantes, destaca as reações às experiências práticas: “O que mais gostaram foi verem os ossos do rato e as experiências com os aparelhos que convertiam as diferenças de potencial das plantas (e das pessoas) em sons. A metáfora de ouvir a energia das plantas e ouvir a energia a fluir entre níveis tróficos resultou muito bem.”
Para Inês Roque, aproximar a ciência da sociedade é uma responsabilidade dos cientistas e leva-a muito a sério. “Acho que não é algo para fazer por carolice ou “no tempo livre”. Comunicar ciência tem muita ciência, envolve muito planeamento, alguma tentativa-erro e recursos. O nosso trabalho, que conhecemos como ninguém, pode e deve ser explicado a não cientistas para que compreendam a importância da ciência no mundo. E ainda mais quando esses não cientistas podem, um dia, escolher ser um. Talvez um bocadinho por nossa causa.”
Esta ação integrou o programa Cientista Regressa à Escola, da Native Scientists, e foi financiada pelo programa Portugal Inovação Social Alentejo.
Fonte: MED















































