Estimados Associados,
A APIC informa que, na reunião do Comité Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Rações (PAFF) realizada a 22 e 23 de abril de 2026, foram apresentadas actualizações sobre a situação epidemiológica da Peste Suína Africana (PSA) em seis Estados-Membros da União Europeia. Divulgam-se os principais elementos reportados por cada país, com nota final sobre a relevância desta evolução para o contexto nacional.
Espanha — vírus em javali na Catalunha, setor doméstico indemne
Em Espanha, a PSA mantém-se circunscrita à Catalunha, afetando exclusivamente a população de javali. O setor de suínos domésticos permanece sem qualquer foco confirmado. Desde o início do surto, foram registados 45 focos e 268 animais positivos em javali, com base em 2.922 análises por PCR conduzidas pelo IRTA-CReSA.
O caso mais recente, confirmado a 22 de abril de 2026, é o que suscita maior preocupação do ponto de vista da contenção territorial: foi detectado no município de Castellbisbal, dentro da Zona II, mas fora da área vedada fisicamente. O animal, um macho adulto encontrado morto, foi localizado a 5,8 km do limite da zona confinada e a 12,8 km da chamada zona branca. Esta ocorrência demonstra que o perímetro de vedação instalado não é suficiente para impedir toda a movimentação de animais infectados, e motivou a apresentação de uma proposta formal de alargamento das Zonas de Restrição I e II. Com o alargamento proposto, a Zona II passará a englobar 20 explorações, das quais 7 comerciais, com um total de 4.136 animais. A Zona I abrangerá 44 explorações, 40 das quais comerciais, com cerca de 53.000 animais.
O Plano de Erradicação espanhol atua em várias frentes: controlo da alimentação suplementar, medidas de biossegurança reforçadas nas atividades cinegéticas, vedação, criação de zonas brancas (livres de javali) e controlo de movimentos de animais e produtos. Na zona branca, com 600 km² e uma densidade estimada entre 8 e 10 javalis por km², decorre um programa intensivo de depopulação com recurso a caçadas noturnas, transectos, dispositivos Pigbrig e armadilhas. Até à data, foram eliminados 1.086 javalis, estimando-se que permaneçam na área entre 3.800 e 5.000 animais.
Itália — primeiro foco em suínos domésticos neste ciclo
A situação italiana é a que merece maior atenção setorial nesta actualização. Entre 23 de março e 21 de abril de 2026, foram registados 111 focos em javali e, pela primeira vez neste ciclo, 1 foco em suínos domésticos. O foco foi confirmado a 16 de abril de 2026, numa exploração de suínos em modo semi-extensivo na Província de Alessandria, no Piemonte, com 82 animais.
A exploração apresentava nível elevado de biossegurança estrutural: vedação dupla, uso obrigatório de vestuário descartável e zona de desinfecção de viaturas. Ainda assim, aproximadamente 30% dos animais apresentavam sinais clínicos compatíveis com PSA, nomeadamente depressão, hipertermia, dificuldade respiratória, enterite hemorrágica, ataxia e quedas súbitas. A investigação epidemiológica aponta para duas hipóteses de introdução do agente: contacto indirecto através de pessoal interno ou externo à exploração; e transmissão por via hídrica, através de um pequeno curso de água que atravessa a área de pastoreio e alimenta um tanque interno, podendo ter veiculado material contaminado proveniente de zonas a montante onde circulam javalis infectados. Esta segunda hipótese é menos comum na epidemiologia da PSA e representa um alerta relevante para explorações que utilizam sistemas de água de superfície.
Na sequência do foco, foram estabelecidas zonas de protecção e de vigilância, e foi submetida à Comissão Europeia uma proposta de criação de Zona de Restrição III. O país propõe igualmente a revisão e alargamento da Zona de Restrição II numa área da Emília-Romanha, onde a acumulação de novos casos em javali na proximidade da Zona I existente configura um risco de progressão.
Letónia, Lituânia e Polónia — circulação persistente em javali, gestão activa de zonamento
Na Letónia, foram confirmados 313 animais positivos em javali desde o início de 2026 até 17 de abril, sendo 295 caçados e 18 encontrados mortos. Em suínos domésticos, registaram-se dois focos no período de transição entre 2025 e 2026: um pequeno foco com 4 animais, confirmado a 30 de dezembro de 2025, e um foco de maior dimensão confirmado a 20 de janeiro de 2026, numa exploração comercial com 24.654 suínos. Ambos foram controlados sem surtos secundários. Em nenhum dos casos foram identificados contactos directos entre suínos domésticos e javalis; a fonte de infecção mais provável foi o contacto indirecto com ambiente contaminado. A Letónia apresentou ainda um pedido formal de reversão de uma área da Zona de Restrição III para Zona II, com base no cumprimento das condições regulamentares, incluindo a ausência de evidência de carraças do género Ornithodoros no território.
Na Lituânia, a situação em javali é particularmente activa na zona centro-oriental do país: foram registados 1.060 animais positivos em 2026 (612 notificações ADIS), entre javalis caçados e encontrados mortos, com uma taxa de positividade próxima de 98% nos animais encontrados mortos. Não foram registados focos em suínos domésticos. À semelhança da Letónia, a Lituânia submeteu um pedido de reversão de Zona de Restrição III para Zona II, estando em curso as verificações previstas na regulamentação europeia aplicável.
Na Polónia, foram registados 951 focos em javali até 20 de abril de 2026, distribuídos por 12 voivodias. As voivodias com maior número de focos são Zachodniopomorskie (208), Podkarpackie (166), Kujawsko-Pomorskie (165) e Lubelskie (118). Em suínos domésticos, não foram registados focos em 2026. A Polónia propõe o alargamento das zonas de restrição, nomeadamente em Kujawsko-Pomorskie, onde novos focos em javali na Zona II foram detectados em crescente proximidade da Zona I.
Eslováquia — focos em javali, suínos domésticos sem ocorrências
A Eslováquia registou, entre Janeiro e 20 de Abril de 2026, 146 animais positivos em javali: 102 em vigilância passiva (encontrados mortos) e 44 em vigilância activa (caça). Foram testados 2.433 suínos domésticos, todos com resultado negativo. O país submeteu 89 notificações ADIS em 2026 e apresentou uma proposta de alargamento das Zonas de Restrição II e I em duas áreas, nas regiões de Trenčín/Žilina e Nitra/Trnava, onde novos casos em javali foram detectados em proximidade das zonas de restrição vigentes.
Nota sobre Portugal
Portugal mantém o estatuto de país indemne de Peste Suína Africana. Esta condição é um activo relevante para a competitividade do setor, em particular no plano das exportações, e importa que se mantenha. A evolução registada em Espanha, onde o vírus progride em javali na Catalunha e onde o caso mais recente foi detectado fora da zona vedada, é um elemento que justifica acompanhamento próximo, em especial no que respeita à vigilância em regiões fronteiriças e à robustez dos mecanismos de detecção precoce existentes. A APIC continuará a acompanhar os desenvolvimentos desta matéria e informará os associados, em comunicação posterior, sobre eventuais implicações práticas para o setor.
Fonte: APIC













































