Ataque ao olival é infundado e puramente ideológico. Eis porquê – Pedro Lopes

Ataque ao olival é infundado e puramente ideológico. Eis porquê – Pedro Lopes

Se o Alqueva multiplicou por dez a riqueza da região do Alentejo, o olival e a produção de azeite não podem ser dissociados deste contributo.

Não há outra forma de o dizer. Os recentes ataques contra a agricultura moderna e, em particular, contra o olival na região de Alqueva são injustificados e desprovidos de quaisquer evidências. Pior ainda, associam os olivicultores a más práticas de gestão agrícola e de recursos naturais, chegando a pôr em causa o contributo deste sector para o país.

O facto de, nos últimos anos, se ter modernizado o modo de produção da cultura do olival em nada perturbou a importância da oliveira – pelo contrário. Na região do Alentejo, esta modernização permitiu, entre 1998 e 2015, que um aumento de 1,17 vezes da área de olival multiplicasse por sete a produção regional de azeite.

Como consequência deste espectacular aumento da produção passámos a dispor de mais azeite português no mercado e afirmámo-nos como um importante player a nível mundial. Os azeites portugueses ganham prémios internacionais ano após ano e os olivais no Alentejo tornaram-se uma referência mundial de produção eficiente e de respeito pelo meio ambiente.

A riqueza que o olival e a produção de azeite geram é inequívoca. Se o Alqueva multiplicou por dez a riqueza da região do Alentejo, o olival e a produção de azeite não podem ser dissociados deste contributo.

Se, na década de 90, apenas uma em cada duas garrafas de azeite tinham produto nacional, hoje os olivicultores garantem um abastecimento integral do mercado. Como passámos a excedentários e produzimos azeites de grande qualidade, a exportação progride tanto em volume como em valor, o que contribui positivamente para o saldo da balança comercial portuguesa.

Em relação a outro dos temas que tem servido de arma de arremesso contra o sector, o olival faz um uso eficiente da água, permitindo a expansão do Alqueva. O facto de se poder regar apenas quando necessário permitiu enormes ganhos de produtividade.

O olival é uma cultura mediterrânica, autóctone em Portugal e, por isso, bem adaptada ao nosso clima e solos. As suas exigências de água e de adubos ou fitofármacos são muito menores quando comparadas com outras espécies. Ao contrário do que tem sido propalado, a produção mais intensiva permite fazer uma poupança de água, solo, adubos ou fitofármacos, através de meios eficientes e cada vez mais controlados.

O regadio contribui não só para a sobrevivência e produtividade das culturas, como para o aumento da humidade relativa do ar e diminuição da sua temperatura média, com importantes efeitos na preservação dos ecossistemas do Alentejo – os agricultores são os principais interessados na preservação dos ecossistemas onde trabalham.

Sendo uma cultura permanente e com grande vigor vegetativo, os olivais modernos acabam por contribuir para o combate aos efeitos das alterações climáticas, pela intensa fixação de carbono da atmosfera.

É incompreensível a recente campanha contra o olival. Apenas se pode concluir que estes ataques são motivados por posicionamentos ideológicos com fortes tendências proibicionistas. Lamentamos profundamente que esta extraordinária evolução seja colocada em causa por pressões e discursos demagógicos e infundados.

Quem está contra o olival na área de intervenção do Alqueva está contra, certamente, o Alentejo e o seu desenvolvimento, imprescindíveis para a captação de investimento, de empregos, de novos residentes e também para a fixação da actual população.

Opinião de Pedro Lopes – Presidente da Olivum – Associação de Olivicultores do Sul

O artigo foi publicado originalmente em Público.

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