Presidente do Governo dos Açores apela ao diálogo para distribuição justa na cadeia agroalimentar

Presidente do Governo dos Açores apela ao diálogo para distribuição justa na cadeia agroalimentar

O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, apelou hoje ao diálogo para que haja uma distribuição de riqueza mais justa na cadeia agroalimentar e um aumento do rendimento líquido dos produtores.

“Todos temos de trabalhar em conjunto e em diálogo [no sentido] de aumentar o rendimento líquido dos produtores e criar na cadeia de valor na riqueza produtiva, transformadora, distribuidora e de comercialização um equilíbrio justo na distribuição de rendimentos para todos estes segmentos da cadeia de valor”, afirmou.

José Manuel Bolieiro falava, em Angra do Heroísmo, numa cerimónia de comemoração dos 75 anos da cooperativa Unicol, que tem 909 associados (776 produtores de leite e 133 produtores de carne) nas ilhas Terceira e Graciosa.

O presidente do Governo Regional considerou que só será possível ter uma economia “mais pujante, mais equitativa e mais justa” apostando em produtos de “valor acrescentado” e na distribuição do rendimento “com justiça por todos os elementos da cadeia”.

“Não podemos ter a ilusão de que é pela quantidade que somos competitivos, é pela qualidade, é pelo valor acrescentado de cada produto e pela excelência demonstrada que o consumidor aceitará pagar mais pelo melhor”, sublinhou.

Bolieiro garantiu “disponibilidade total” do Governo Regional para ser parceiro nesse diálogo, mas reforçou que é preciso “compreensão e cedências de parte a parte”.

O chefe do executivo açoriano destacou o papel das cooperativas no controlo dos custos dos fatores de produção e disse que a redução do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRC) na região, que entrará em vigor ainda em 2021, será também um contributo nesse sentido.

“É assim que também se auxilia a economia, não é apenas pela subsidiação, não é apenas pelo exercício da mão estendida, é pela capacidade e domínio próprio de quem é produtor de riqueza à custa do seu trabalho”, salientou.

José Manuel Bolieiro reiterou ainda a necessidade de “estimular a ideia do mercado regional”, alegando que, para isso, é preciso “bons transportes” e “uma cultura de consumo” que valorize o que regional.

O presidente da cooperativa Unicol, João do Couto, manifestou também “disponibilidade para colaborar e procurar soluções nas diversas áreas em que a cooperativa intervém”.

João do Couto reconheceu que o preço pago por litro de leite ao produtor era motivo de insatisfação, mas sublinhou que os mercados são “palco de jogos de forças muito variadas, antagónicas umas vezes, e com comportamentos nem sempre lógicos”.

“Todos sabemos da importância do preço do leite no rendimento dos produtores e nenhum de nós está satisfeito com os valores que são praticados. Mas também sabemos que nenhum operador, por si só e por maior que seja, tem capacidade para manipular os preços”, frisou.

O presidente da cooperativa considerou que é “mais exequível atuar nos custos de produção”, alegando que a Unicol tem procurado fazê-lo “com as mercadorias que vende e com os serviços que presta”.

Constituída em 1945, a Unicol “recolhe 25% do leite produzido nos Açores”, o “equivalente a 8% do todo nacional”.

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