O movimento Floresta do Futuro acusou hoje o Governo de financiar eucaliptais enquanto o território está ao abandono e a Europa arde e quem plantou espécies autóctones enfrenta dificuldades.
“O Estado continua a aumentar ativamente o risco de incêndios florestais subsidiando a espécie invasora e extremamente combustível que é o eucalipto, enquanto a Europa arde e Portugal está apenas a poucos graus de longitude de o mesmo acontecer”, disse o movimento num comunicado hoje divulgado.
No documento o movimento referiu que o Fundo Ambiental começou a “financiar eucaliptais ilegais” através das mudanças das regras do programa Floresta Ativa, anunciadas pelo secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira.
No mês passado o responsável anunciou que o programa Floresta Ativa, de apoio à limpeza e gestão de terrenos florestais, seria relançado “nos próximos dias”, com uma verba de quatro milhões de euros.
Entre outas informações, Rui Ladeira adiantou que o programa irá permitir agora “que todas as espécies, nomeadamente também a fileira do eucalipto, possa submeter a candidatura, com valores diferenciados”, uma vez que as intervenções também “são diferenciadas”.
Ao “flexibilizar” o financiamento público a todas as espécies, os eucaliptais podem passar a receber apoios diretos até 800 euros por hectare, “enquanto quem plantou espécies autóctones enfrenta dificuldade em reaver dinheiro investido na gestão de combustível”, acusa o movimento cívico, criado e 2022 e que contesta a forma de gestão atual dos espaços florestais.
No comunicado lamenta-se que o Governo tenha “aberto os cordões à bolsa pública” para financiar a limpeza de eucaliptais, muitos deles ilegais, e subsidiar diretamente as monoculturas de crescimento rápido que abastecem o lucro da indústria de pasta de papel.
“O território está abandonado, e paga-se para manter e expandir as espécies e o tipo de plantações que fazem de Portugal o país que mais arde da Europa. Há plantações de eucalipto em situação de total ilegalidade por todo o país, violando distâncias mínimas obrigatórias por lei, junto a habitações, estradas e destruindo as linhas de água. É o mesmo Estado que subsidia indústrias fósseis e emissoras que aumentam o calor que atravessamos e promovem o caos climático”, disse, citado no comunicado, João Camargo, da Rede de Resposta Floresta do Futuro.
O movimento acrescenta que as novas regras de acesso ao Floresta Ativa “estão a financiar a expansão dos incêndios florestais” numa altura em que o Mediterrâneo arde e apenas por acaso Portugal não está completamente sob chamas devastadoras como Espanha, França, Tunísia ou Argélia.












































