Mudança, riscos e oportunidades, a proteína enquanto ativo essencial, a longevidade, os desafios do digital e a localização e o know-how enquanto fatores competitivos, a segurança alimentar, a legislação e a política comercial da União Europeia, a volatilidade, a escassez de matérias-primas e a disrupção nas cadeias de valor são questões essenciais à promoção de uma agropecuária e um agroalimentar mais vigorosos e sustentáveis e foram temas em foco na conferência ‘Alentejo no Centro da Mudança Pecuária, Território e Futuro’, promovida pelo Grupo Monte do Pasto, líder na criação de bovinos em Portugal. A sessão, que decorreu a passada semana na ‘42ª Ovibeja: Todo o Alentejo deste Mundo’, contou com o ecossistema do setor e foi precedida de um show-cooking de carne True Born.
“No mundo profundamente disruptivo e volátil que estamos a viver, as empresas do setor agropecuário, em especial as mais expostas aos mercados internacionais, têm de saber navegar todos os desafios que se impõem com visão, inspiração e compromisso. Estamos a falar, não apenas da óbvia introdução e normalização das tecnologias de ponta, mas também de uma afirmação das suas marcas e da internalização de toda esta nova geoeconomia do agropecuário nos seus processos produtivos. E, sem dúvida, o Alentejo tem aqui um papel importante a desempenhar, podendo ser um seu mero produtor ou um claro protagonista.”, afirmou Clara Moura Guedes, CEO da Monte do Pasto.
“Hoje, a pecuária tem uma dimensão estratégica e a pastagem representa a principal ocupação do solo em Portugal, em particular no Alentejo. Temos de saber utilizar este recurso. Já não basta competir ou resistir, é preciso medir o risco e aproveitar as oportunidades deste mundo em mudança.”, comentou Eduardo Diniz, Diretor Geral do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) do Ministério da Agricultura e Mar, que esteve presente em representação do Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes. Aproveitando ainda para congratular a Monte do Pasto pela iniciativa, acrescentou que “a empresa é um exemplo notável de como aliar produção e inovação.”
“Como já vem sendo hábito, gostaria de agradecer à Monte do Pasto o ter trazido para a Ovibeja temas tão decisivos e atuais para todo o setor alimentar e agropecuário. Acima de tudo, não posso deixar de notar a opção de terem definido como ponto de partida o ‘Alentejo no centro da mudança’, o que encaramos tanto como um desafio como uma responsabilidade.”, afiançou Claudino Matos, Diretor-Geral da ACOS – Associação de Agricultores do Sul.
Numa primeira alocução intitulada ‘It’s a New World: Desafios, Tensões e Oportunidades num Mundo em Transformação’, Sara Rocha de Oliveira, Workplace Lead da Accenture, mostrou como um novo olhar sobre a transformação digital e a longevidade – podem criar oportunidades para o setor e região “a agricultura do Alentejo, que é muito rica e variada, tem de olhar para os “nutrientes essenciais” que pode extrair desse mesmo produto e que podem aportar valor à vida e alimentação do futuro. Afinal, o bem-estar e o envelhecimento ativo fazem parte das grandes tendências.”
Em jeito de introdução ao painel ‘One Health: Quando a Saúde se Transforma em Valor Económico’, que moderou, João Ribeiro Lima, Professor da San Telmo Business School destacou que “Apesar de ser novo enquanto conceito, este ‘One Health’ – ou a ligação entre saúde humana e saúde animal – é um fenómeno com dezenas de anos de aplicação prática. Quando pensamos em saúde animal, tendemos a pensar nas questões intrínsecas à produção. Porém, temos também de pensar nos impactos desta para a saúde pública e os mercados e a economia.”
O painel ‘A Nova Geoeconomia do Mundo Pecuário: Mercados, Acordos, Riscos e Oportunidades de Investimento’, moderado pelo Diretor Geral do GPP do Ministério da Agricultura, Eduardo Diniz, contou, entre outros, com Sérgio Pavón, membro da DG de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia, que fez uma exposição sobre ‘A política comercial da UE e a agricultura’.
Nessa intervenção, Pavón relembrou que a UE é o maior exportador agroalimentar do mundo, algo que vai ao encontro da visão da Monte do Pasto e de Clara Moura Guedes, que reitera: “em tempos de novos acordos comerciais, esta evidência mostra que existe um extraordinário potencial de expansão internacional para os produtos agroalimentares europeus, incluindo a carne de bovino. Em Portugal, precisamos, acima de tudo, de eficácia, celeridade e menos burocracia na abertura de novos mercados.” Aliás, ainda no mesmo painel, os dois empresários e investidores presentes Gustavo Guimarães, CEO Pêro Peão e Afonso Bulhão Martins, Diretor-Geral CFBM, foram unânimes a reforçar que, em momentos de incerteza como o que vivemos, a falta de reação rápida das instituições públicas pode levar ao desinvestimento num setor cada vez mais crítico como é o agroalimentar.
O debate prosseguiu com um terceiro painel, moderado por Teresa Moreira, Católica International Business Platform dedicado a ‘Escalar com Identidade: Como Acelerar a Internacionalização a partir do Território’, que juntou o Presidente da Confagri, Idalino Leão, o Presidente da Portugal Foods, Amândio Santos, e a Administradora não executiva da Sogrape, Raquel Seabra, numa reflexão muito pertinente sobre marca, origem e ambição internacional. Aqui, falou-se na importância da colaboração para escalar setores, com um exemplo concreto do setor da fruta, onde um projeto-piloto colaborativo entre pequenos produtores e um retalhista internacional se transformou em 140M EUR de exportações anuais, e apresentou-se o caso Sogrape, demonstrando como o investimento em marca e o desenho de uma estratégia de internacionalização assente em parcerias estratégicas cria a competitividade necessária para as empresas portuguesas abordarem os mercados internacionais com confiança.
Na exposição final ‘Depois da Abundância: Alimentação, Proteína e Cultura’, Pedro Pimentel, Diretor Geral da Centromarca, concluiu que: “Mudámos de um mundo de abundância para um mundo de escassez, o que significa menos volume e mais valor. E, ainda que o digamos muitas vezes, estamos a viver um mundo novo, que inclui o fim do multilateralismo, o regresso do protecionismo e, em Portugal, profundas mudanças demográficas, como lares mais pequenos e envelhecidos. Não estamos numa fase de mudança, estamos numa mudança de fase, e tudo isto tem consequências para o mercado da carne e da proteína.”
Promovida pela Monte do Pasto na ‘42ª Ovibeja: Todo o Alentejo deste Mundo’, esta conferência contou com uma diversidade de reputados empresários, especialistas e académicos, os quais, através da partilha de uma panóplia de experiências e testemunhos de atividade e setoriais, se juntou para refletir e contribuir ativamente para o futuro do setor agropecuário e agroalimentar em Portugal. E, desafiados a escolher os temas relevantes no futuro mais próximo, os participantes da conferência elegeram ´Marca e Internacionalização´ e ‘Eficiência e Sustentabilidade’ como os dois temas mais relevantes para o futuro do Alentejo.
Fonte: Monte do Pasto












































