O Juntos Pelo Povo (JPP) alertou hoje para a “crise silenciosa” e o “cenário desolador” do setor da cana-de-açúcar, uma das produções mais tradicionais da economia da Madeira.
“O setor da cana-de-açúcar atravessa uma crise silenciosa que está a destruir um dos pilares da identidade da Madeira”, disse o deputado Rafael Nunes no plenário da Assembleia Legislativa Regional, no Funchal.
O eleito do maior partido da oposição no parlamento da Madeira (ocupa 11 dos 47 lugares) apresentava um projeto de resolução que recomenda ao Governo Regional (PSD/CDS-PP) o aumento do preço mínimo a pagar aos produtores de cana-de-açúcar, que não deve ser inferior a 70 cêntimos por quilo.
Rafael Nunes apontou que a produção de cana-de-açúcar ocupa cerca de 1.300 agricultores e uma área de 141 hectares, situando-se nas 8.000 toneladas no arquipélago.
Além disso, é matéria-prima para produtos como o mel e a aguardente, imprescindível para a confeção de doçaria e da poncha tradicional, mas registou uma queda de 200 toneladas em 2025.
O deputado alertou que os produtores se estão a “revoltar com as dificuldades do setor” e consideram que “a produção já não compensa”, visto que dispararam os custos de produção, nomeadamente o valor pago ao trabalhador, que se situa nos 150 euros por dia.
“O cenário da produção de cana é desolador” e o “setor está em colapso”, salientou, recordando que os governantes madeirenses já disseram que “o mercado quer mais” aguardente de cana, imprescindível para fazer a tradicional poncha.
O PS, através do deputado Victor Freitas, defendeu que “o agricultor tem de passar a receber a sua quota-parte na venda do rum da Madeira”.
Por seu turno, o líder parlamentar do Chega, Miguel Castro, salientou que a cana-de-açúcar colocou a Madeira “nos quatro cantos do mundo” e que “sem cana não há poncha”, havendo uma “disparidade nos ganhos entre quem produz e quem comercializa”.
“Esta é uma matéria-prima fundamental para a identidade da região”, disse, argumentando que “o valor não pode crescer na garrafa e morrer no campo” e defendendo que o Governo Regional “deve implementar medidas para salvaguardar produção desta mateira prima fundamental para a identidade e economia” da Madeira.
Ainda segundo Miguel Castro, em 2015 foram produzidos 806 mil litros de aguardente de cana, que representaram 3,8 milhões de euros. Em 2025, a produção aumentou para 925 litros, que significaram 11,1 milhões de euros.
Já o deputado único da IL, Gonçalo Maia Camelo, salientou que este “setor é a antítese” do que o seu partido defende, porque preços não resultam da dinâmica do mercado livre, mas através de apoios, sendo “um setor fortemente subsidiado”.
Já Rafaela Fernandes, do PSD, recordou que houve um consenso para fixar o valor mínimo do apoio em 629 euros por tonelada, em 2026, existindo produtores que vão receber 650 euros por tonelada.
O deputado lembrou também que o setor que tem sido apoiado através do Orçamento Regional e do envelope financeiro POSEI, programa europeu para as regiões ultraperiféricas.
A iniciativa foi rejeitada com os votos contra os votos contra do PSD e do CDS-PP, a abstenção da IL e a favor de JPP, PS e Chega.
Já a proposta de lei à Assembleia da República para a criação do Estatuto do Estudante Deslocado Insular foi aprovada por maioria, com a abstenção do deputado único da IL.

















































