Um grupo operativo espanhol está a desenvolver bioestimulantes a partir de microalgas autóctones do Mar Menor, em Múrcia, e da Albufera, em Valência, com o objetivo de reduzir entre 30% e 50% o uso de fertilizantes azotados convencionais em culturas hortícolas e citrinos.
O projeto aborda desafios comuns à agricultura mediterrânica, como a eficiência no uso de nutrientes e a redução do impacto ambiental associado à fertilização.
O Grupo Operativo LINOMAR procura responder à necessidade de manter níveis elevados de produtividade, reduzindo em simultâneo o impacto ambiental associado ao uso intensivo de fertilizantes azotados. A acumulação de nitratos em aquíferos, lagoas e outros ecossistemas aquáticos é apontada como uma das principais preocupações.
A iniciativa pretende transformar este problema ambiental ao criar uma oportunidade para o setor agrícola, através do desenvolvimento de bioestimulantes obtidos a partir de microalgas capazes de absorver nitratos presentes em massas de água afetadas pela atividade agrícola.
Pedro Sánchez, membro da Federação de Cooperativas Agrárias de Múrcia, entidade coordenadora do Grupo Operativo, afirma que “a ideia principal foi transformar um problema ambiental numa oportunidade, utilizando estas microalgas para produzir soluções inovadoras que permitam reduzir o uso de fertilizantes químicos na agricultura e melhorar a sustentabilidade das culturas”.
Além do desenvolvimento de novos produtos bioestimulantes, o LINOMAR visa melhorar a qualidade ambiental de espaços naturais afetados pela acumulação de nitratos.
O processo inclui a recolha e análise de água no Mar Menor e na Albufera, a seleção das microalgas mais adequadas e o aumento da produção em sistemas controlados, preparados para cultivo em larga escala.
Ao longo da investigação, a equipa verificou que as microalgas podem ser usadas não apenas como matéria-prima para bioestimulantes, mas também como ferramenta de biorremediação, pela sua capacidade de capturar nutrientes presentes em águas contaminadas e contribuir para a sua recuperação.
O Grupo Operativo LINOMAR encontra-se atualmente na fase final e já obteve resultados considerados promissores. Entre os avanços registados estão o isolamento e cultivo de diferentes espécies de microalgas procedentes do Mar Menor e da Albufera, a caracterização da sua composição bioquímica e a identificação das espécies com maior potencial para a produção de bioestimulantes.
Foram também desenvolvidos diferentes extratos experimentais e realizados ensaios agronómicos para avaliar a sua capacidade de melhorar o crescimento das culturas e a eficiência no uso de nutrientes. A equipa trabalha agora na seleção das formulações mais eficazes para validação agronómica a maior escala.
A iniciativa tem um orçamento de cerca de 595 mil euros e decorre entre 2024 e 2026 na Região de Múrcia e na Comunidade Valenciana. O projeto é financiado pelo Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural, no âmbito do Plano Estratégico da PAC 2023-2027.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































