África tem de desenvolver urgentemente o setor aquícola para responder às necessidades alimentares, numa altura em que as Nações Unidas apontam níveis recordes de produção mundial, indicou hoje a organização.
O aviso foi feito pelo diretor da divisão das pescas da ONU, Manuel Barange, durante a apresentação do relatório Estado Mundial das Pescas e da Aquacultura” da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), apresentado durante a conferência “O Nosso Oceano” a decorrer em Mombaça, no Quénia.
A aquacultura ultrapassou a pesca tradicional como fonte de produção alimentar em 2021 e continuou a crescer, ultrapassando pela primeira vez a marca dos 100 milhões de toneladas em 2024, o último ano para o qual existem dados disponíveis.
A aquacultura representa metade da produção de peixe consumida pela humanidade.
No entanto, África continua atrasada em relação ao resto do mundo: apenas 18% do peixe produzido no continente provém da aquacultura.
Segundo a FAO, a produção de peixe na África Subsaariana terá de aumentar 68% até 2050 para acompanhar o ritmo do rápido crescimento demográfico do continente.
“A aquacultura pode verdadeiramente fazer a diferença”, afirmou à agência noticiosa France-Press (AFP) o diretor da divisão das pescas da organização das Nações Unidas, Manuel Barange.
“Mas tudo dependerá do ritmo de crescimento ser suficientemente rápido para responder à procura”, acrescentou.
Barange apelou aos governos para que implementem urgentemente regulamentação e incentivos capazes de atrair investidores.
Mais de 700 espécies diferentes de peixe são criadas para consumo em explorações aquícolas em todo o mundo, e a FAO garante que esta é uma abordagem mais previsível e sustentável do que a pesca tradicional no mar.
Além disso, é mais fácil de gerir perante as alterações climáticas, que estão a provocar mudanças rápidas nos volumes e na distribuição das populações de peixes oceânicos.
São também necessários esforços adicionais para reduzir a sobrepesca: o relatório indica que apenas 62% das pescarias mundiais são exploradas de forma sustentável.













































