Empresa portuguesa suspeita de comprar madeira ilegal no Congo

Empresa portuguesa suspeita de comprar madeira ilegal no Congo

Dez empresas europeias, entre as quais uma portuguesa, terão importado em 2018 madeira explorada ilegalmente na República Democrática do Congo (RDCongo), denunciou a organização não-governamental (ONG) Global Witness.

Segundo o relatório divulgado esta quinta-feira, a Interarrod, uma empresa de exportação e importação de madeiras sedeada no Porto, terá recebido entre junho e outubro do ano passado 200 metros cúbicos de madeira adquiridos à Industrie Forestière du Congo (IFCO), o segundo maior exportador de madeira da RDCongo.

A IFCO recebeu em 2018 duas concessões anteriormente concedidas à Cotrefor, uma empresa associada à exploração madeireira ilegal e sob suspeita de ser controlada por um conglomerado libanês que está na lista de sanções do Tesouro norte-americano por alegadamente financiar o movimento xiita libanês Hezbollah.

A Global Witness acusa a IFCO de ignorar as leis florestais congolesas, pondo em perigo florestas tropicais que estão criticamente ameaçadas, mas também de violar a legislação europeia que regula o comércio de produtos de madeira com países terceiros (EUTR, na sigla inglesa).

A ONG diz que as dez empresas europeias compraram, no seu conjunto, mais de 1.400 metros cúbicos de madeira ilegal ou de risco num valor aproximado de dois milhões de euros, em apenas cinco meses e deviam abster-se de adquirir madeira à IFCO enquanto são investigadas as alegadas violações da lei.

Além da portuguesa Interarrod, estão nesta lista as francesas Edwood, Angot Bois, FRance Noyer, Timbearth e Carbon Market Timbre, a espanhola Troncos y Asserrados Tropicales, a italiana TimTrade e a belga Exott

A Global Witness afirma que a IFCO explora ilegalmente madeira fora das áreas concessionadas e que continuou a operar mesmo quando as autoridades obrigaram a empresa a suspender atividade por violar as leis laborais e ambientais congolesas.

Comente este artigo

O artigo foi publicado originalmente em Rádio Renascença.

Anterior Se não gerir o terreno, o proprietário “tem de o vender”, diz presidente da Agência para Gestão dos Fogos Rurais
Próximo Se mettre au sport, même après 40 ans

Artigos relacionados

Últimas

Continente prevê comprar 10 mil toneladas de laranja do Algarve

Um dos produtos mais característicos do Sul do País está em destaque em todas as 274 lojas Continente. Até junho, o Continente só […]

Opinião

A utilização de energia solar na conservação de alimentos por desidratação – Gonçalo Costa Martins

Desde sempre o Homem utiliza a desidratação para conservar os seus alimentos.
Hoje em dia, nos Países desenvolvidos, continuamos a desidratar os mais variados produtos: ervas aromáticas e medicinais, […]

Últimas

Incêndios: Ministro assegura inexistência de duplicação de fundos no apoio

Nelson de Souza foi chamado à Comissão dos Assuntos Europeus pelo PSD, que queria saber como e onde têm sido utilizados os 50,6 milhões de euros (ME) atribuídos através do Fundo de Solidariedade da União Europeia (FSUC) para ajudar na reconstrução pelos incêndios de junho e de outubro de 2017, […]