Depois de colocado numa “lista negra”, Zoomarine responde: “Zoos como o Zoomarine têm um contributo realmente efetivo na conservação da natureza”

Depois de colocado numa “lista negra”, Zoomarine responde: “Zoos como o Zoomarine têm um contributo realmente efetivo na conservação da natureza”

Num comunicado hoje publicado, o Zoomarine salienta que é sua prioridade “garantir o bem-estar e a saúde dos animais sob o seu cuidado humano”, acrescentando que o parque “cumpre com o dever de transmitir diariamente mensagens de consciencialização para a problemática ambiental”. E exemplifica.

“Ao contrário de apenas ideais, Zoos como o Zoomarine têm um contributo realmente efetivo, na conservação da natureza. Expoente máximo desse contributo foi, a criação do 1º Centro de Reabilitação de Espécies Marinhas em Portugal (2002) em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) cujo mais recente animal resgatado e reabilitado é a tartaruga de couro Quinas que já tem data marcada para voltar ao mar completa e totalmente reabilitada”.

A par desta iniciativa o parque destaca ainda a “promoção de ações concretas na comunidade: a Operação Montanha Verde, que em apenas 2 anos já plantou no Algarve mais de 37.400 árvores; a Operação Praia Limpa que em 2 anos já recolheu mais de 3 toneladas de lixo marinho das nossas praias; o apoio a programas de conservação onde pela ação do Zoomarine e dos seus visitantes já entregaram em apenas 3 anos mais de 52.000 € à World Parrot Trust”.

O parque acrescenta que a sua atuação é alvo de “reconhecimentos oficiais, nacionais e internacionais pelas mais elevadas instituições reguladoras e inspectivas do mundo”, destacando “a mais recente inspeção e avaliação da American Humane (…) que atribuiu 94,78% conformidade ao Zoomarine”. 

Mais acrescenta o comunicado que o Zoomarine mantém “total confiança nas autoridades nacionais (DGAV e ICNF) que inspecionam e licenciam os Zoos portugueses e é com orgulho que sabemos que o Zoomarine, como membro acreditado de entidades com prestígio reconhecido (eg: EAAM – European Association for Aquatic Mammals, EAZA – European Association of Zoos and Aquaria, AIZA – Associação Ibérica de Zoos e Aquários, AMMPA – Alliance of Marine Mammals Parks and Aquariums), se regula, se organiza e é supervisionado pelas mesmas com a maior e a mais profunda experiência na acreditação de zoos e aquários”.

relatório da World Animal Protection — com a colaboração da Change For Animals Association — visou 12 jardins zoológicos e parques aquáticos, de nove países, considerando que estes espaços abusam dos animais para entretenimento.

No documento é possível ler que os animais mantidos nestes sítios de diversão estão sob “sofrimento atroz”, referindo, entre outros, o caso do Zoomarine e dos espetáculos que promove, em que “os golfinhos são forçados a fazer acrobacias e a deixar que os treinadores façam surf em cima deles”.

“Em vez de atuações públicas para fins comerciais, estes locais deviam eliminar estas atrações nocivas e oferecer em vez delas atividades enriquecedoras para os golfinhos, sem contacto direto com os visitantes e sem truques circenses”, defende a organização.

Na mira do relatório, construído a partir de visitas efetuadas entre 2018 e 2019, em que os membros da organização assistiram aos espetáculos, estão parques semelhantes ao Zoomarine na Austrália, Estados Unidos e Singapura, e outros sítios onde há animais em cativeiro, num total de 12 instalações:

  • Dolphin Island (Resorts World Sentosa), Singapura
  • Zoo D’Amneville, França
  • Jungle Cat World, Canadá
  • African Lion Safari, Canadá
  • Cango Wildlife Ranch, África do Sul
  • Sea World, Austrália
  • SeaWorld, San Antonio, Estados Unidos
  • Zoomarine, Portugal
  • Puy du Fou, França
  • Avilon Zoo, Filipinas
  • Mystic Monkeys & Feathers Wildlife Park, África do Sul
  • Ichicara Elephant Kingdom, Japão

A World Animal Protection e da Fundação Change for Animals argumentam que “muitos dos comportamentos apresentados como brincadeiras durante o espetáculo são na verdade manifestações de agressividade ou perturbação”. E chega mesmo a apelar aos turistas britânicos a “tomarem uma posição, não visitando nem apoiando estes locais”.

O relatório enaltece também que o contacto direto com os visitantes pode sugerir que a interação com os golfinhos “é completamente segura para os humanos”. No entanto, como se trata de “animais selvagens incrivelmente fortes, quando perturbados, podem ser um risco para a segurança das pessoas”.

Posteriormente, o documento acrescenta que manter estes animais em cativeiro para garantir a sua conservação não é argumento porque a maioria das espécies mantidas nos aquários não está ameaçada. Além de o cativeiro ser sempre “uma severa restrição ao bem-estar” dos animais, o treino para os truques que fazem nos espetáculos consiste em “métodos controversos” como “retirada de comida e estímulo social aos golfinhos para depois os usar como recompensas”, acusa a organização.

As organizações referem ainda outros tipos de animais sujeitos a “atividades e exibições cruéis e degradantes”, como “leões e tigres a fazerem truques e acrobacias em palco”, elefantes obrigados a transportar turistas e primatas “explorados como adereços fotográficos”.

Todavia, apesar deste relatório, as organizações salientam que estes locais visados não são os piores do mundo. “Os locais incluídos nestes casos de estudo não representam os piores jardins zoológicos do mundo.” Porém, estão ligados à Associação Mundial de Zoológicos e Aquários, cujas diretivas não estão a cumprir, apesar de “aspirarem a ser modernos e favoráveis ao bem-estar animal”.

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