O Olive Oil World Congress (OOWC), realizado nos dias 2 e 3 de Julho, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, reuniu especialistas, investigadores e representantes do sector oleícola para debater os principais desafios da indústria. As conclusões do encontro apontam as alterações climáticas, a inovação tecnológica, a qualidade do produto e a comunicação com o consumidor como factores decisivos para o futuro do azeite.
As alterações climáticas foram identificadas como a principal preocupação do sector, devido ao impacto crescente na produtividade dos olivais, sobretudo na região mediterrânica. Os participantes defenderam a preservação da diversidade genética, o desenvolvimento de variedades mais resistentes e uma gestão mais eficiente da água e dos solos, alertando também para a necessidade de apoiar as pequenas e médias explorações agrícolas.
Tecnologia e qualidade em destaque
A digitalização foi apontada como uma ferramenta importante para aumentar a eficiência da produção, através da utilização de inteligência artificial, drones e sensores. No entanto, o congresso destacou que a adopção destas tecnologias continua a ser um desafio para muitos pequenos produtores, devido aos custos e à falta de formação.
A qualidade e a autenticidade do azeite estiveram igualmente em foco, com os especialistas a defenderem o reforço dos mecanismos de controlo para combater a fraude e garantir a confiança dos consumidores. Foi ainda sublinhada a importância da prova sensorial, que continua a desempenhar um papel central na avaliação da qualidade do produto.
Além da qualidade, foram apresentados estudos que reforçam os benefícios do consumo de azeite para a saúde, enquanto a sustentabilidade foi destacada como um factor cada vez mais relevante. Entre os temas abordados estiveram o contributo dos olivais para a captura de carbono e o potencial da economia circular através da valorização dos subprodutos da azeitona.
Consumidor no centro da estratégia
O congresso assinalou ainda o crescimento do consumo mundial de azeite nas últimas décadas, salientando que os consumidores valorizam cada vez mais a autenticidade, a origem e a sustentabilidade do produto.
Neste contexto, a comunicação digital, a valorização da identidade dos territórios produtores e o oleoturismo foram apontados como instrumentos importantes para aproximar o sector dos consumidores e reforçar a competitividade do azeite nos mercados internacionais.
O Olive Oil World Congress contou com o apoio institucional do Conselho Oleícola Internacional (COI), do CIHEAM Zaragoza e da Fundação Dieta Mediterrânica, entre outras entidades ligadas ao sector.
O artigo foi publicado originalmente em Revista Frutas Legumes e Flores.









































