Cooperativa de Olivicultores de Borba com produção “acima do esperado, o que demonstra as vantagens do olival tradicional”, diz Paulo Velhinho (c/som)

Cooperativa de Olivicultores de Borba com produção “acima do esperado, o que demonstra as vantagens do olival tradicional”, diz Paulo Velhinho (c/som)

[Fonte: Rádio Campanário] A região Alentejo deu recentemente início a mais uma campanha de apanha de azeitona, e mais uma vez as questões da seca e dos olivais intensivos voltam a estar em destaque.

Nesse sentido, a Rádio Campanário falou com Paulo Velhinho, presidente da Cooperativa de Olivicultores de Borba, sobre os resultados da atual campanha e abordando também algumas das questões relativamente ao olival intensivo.

Paulo Velhinho começa por referir aos nossos microfones que “a seca é um fator que condiciona bastante a olivicultura”, acrescentando que “as poucas pingas de água que caíram vieram ajudar muito o olival tradicional”.

O presidente refere que em Borba “a campanha deste ano teve início no passado dia 4 de novembro”, e que até ao momento “as coisas têm corrido da melhor forma”, afirmando que “a produção tem sido boa, algo que não esperávamos”.

“O rendimento de azeite tem sido bom para o início de novembro, o que não é habitual”
Paulo Velhinho 

Para Paulo Velhinho esta superação positiva das expetativas “mostra que o olival tradicional tem uma capacidade excecional de se superar a si próprio”, justificando que “com as chuvas das últimas duas semanas as azeitonas conseguiram fazer a sua maturação”.

“O olival tradicional consegue por si próprio dar rendimento”
Paulo Velhinho

O presidente da Cooperativa de Olivicultores de Borba afirma que “o clima, a zona, o tipo de olivicultura e a nossa variedade de azeitona asseguram o futuro do olival tradicional”.

Questionado pela RC sobre as diferenças entre os dois tipos de olival, Paulo Velhinho explica que “o olival intensivo necessita de muito mais quantidade de água que o olival tradicional”, referindo ainda que “o olival tradicional está habituado a estas alterações climáticas, que cada vez são mais severas”.

Para o responsável “apesar do ano de seca severa que temos, a oliveira tradicional consegue resistir e a prova é a quantidade e a qualidade que estamos a ter”.

Pese embora a maior quantidade de azeite produzida por um olival intensivo, Paulo Velhinho explica que “os dados mostram que 60 a 70% dos prémios obtidos pelos azeites, são entregues a azeites oriundos do olival tradicional”

“O maior produtor de azeite é a Espanha, e mesmo aí 70% da produção é a tradicional”
Paulo Velhinho

O olival intensivo produz “muito mais quantidade”, no entanto “a nível de qualidade perde para o olival tradicional”, declara.

A RC questionou o responsável sobre qual dos dois tipos de cultura é mais rentável financeiramente, e Paulo Velhinho admite que “isso é o calcanhar de Aquiles do olival tradicional”.

O presidente considera que “o olival intensivo é lucro a curto prazo, na minha opinião é não olhar para o futuro”, justificando esta afirmação com o facto de “os olivais intensivos absorvem todos os nutrientes que existem nos solos, e tem uma duração máxima de 30 anos, no final ficamos com solos completamente esgotados para qualquer tipo de cultura”. Por oposição, o olival tradicional “dura centenas ou até milhares de anos e não desgaste exaustivamente os solos”.

Presentemente “o custo de um olival tradicional é difícil de se manter”, explicando que “na Cooperativa de Borba mantem-se porque se pratica uma agricultura tradicional”.

“Temos 630 sócios, em que 80% são pequenas parcelas de terreno”
Paulo Velhinho

Em termos comparativos, “em 1 hectare de olival tradicional as pessoas tiram azeitona para fazer azeite para casa”, por seu lado “num olival intensivo, o mesmo hectare produz 10 a 15 mil quilos de azeitona”, explica o presidente.

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