A Câmara de Gavião, distrito de Portalegre, vai reforçar o apoio financeiro das associações de caçadores do concelho, para “travar o aumento” da população de javalis na região, foi hoje divulgado.
Numa nota publicada nas suas redes sociais, o município indicou ter anunciado a medida durante uma reunião do conselho cinegético, que integra nove associações de caça daquele concelho.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Gavião, António Severino, explicou que, até agora, era atribuído um valor de “250 euros por cada montaria aos javalis”, mas o apoio vai passar a ser de 300 euros, sendo desta forma comparticipadas quatro montarias por cada associação.
“Aumentámos em 50 euros o valor e cada associação pode fazer quatro montarias” comparticipadas, disse.
Esta decisão surge após aquele concelho alentejano ter ficado de fora do projeto-piloto de controlo da densidade populacional de javalis anunciado pelo Governo.
Na nota publicada nas redes sociais, o município recordou que “tem vindo a manifestar” junto das entidades responsáveis o “seu interesse” em ser integrado nas medidas divulgadas pelo Governo.
“A autarquia continuará a defender essa integração, sem deixar de assumir, entretanto, a responsabilidade de apoiar quem está no terreno”, pode ler-se.
Além do reforço financeiro, o município propôs ainda ceder um trator às associações para a realização de “diversos trabalhos agrícolas” nas áreas de cada reserva, “contribuindo assim para a gestão do território” e para a “melhoria das condições” de habitat.
Citado também na nota, o vereador da Câmara de Gavião, Júlio Churro Catarino, alertou que o controlo “só funciona” com a cooperação entre o município, os caçadores, os agricultores e as entidades responsáveis.
“Cabe-nos garantir que essa cooperação produza resultados concretos e que cada um assuma a responsabilidade que estiver ao seu alcance”, acrescentou.
No passado dia 15, o Ministério da Agricultura anunciou o lançamento de um projeto-piloto para o controlo dos javalis, em 15 distritos, com 500.000 euros de dotação global para as zonas de caça que alcancem “resultados superiores à respetiva média histórica”.
“O Ministério da Agricultura e Mar, através do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I.P. (ICNF, I.P.), lançou um projeto-piloto destinado ao controlo da densidade populacional de javalis, abrangendo mais de 1.300 zonas de caça, distribuídas por 65 concelhos de 15 distritos de Portugal continental”, revelou o ministério, em comunicado, justificou a medida com o crescimento das populações de javalis e com o respetivo impacto.
Segundo um explicador divulgado então pelo Governo, os distritos abrangidos são Aveiro, Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Lisboa, Porto, Santarém, Setúbal, Vila Real e Viseu.
O projeto-piloto, que decorre até final de maio de 2027, não substitui os apoios e indemnizações para os produtores que registaram prejuízos causados pelos javalis.
Em 2024, os prejuízos causados pelos javalis no milho e nas pastagens foram de cerca de oito milhões de euros.














































