O presidente da Câmara de Monforte, Miguel Rasquinho, manifestou-se hoje preocupado com a eventual possibilidade de o futuro Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa (FAP) ocupar também “uma faixa significativa” daquele concelho, no distrito de Portalegre.
Em 11 de março, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou a escolha de Alter do Chão, no mesmo distrito, para acolher o Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa (FAP).
O também conhecido como Campo de Tiro de Alcochete (pela proximidade deste núcleo urbano) fica maioritariamente localizado na freguesia de Samora Correia, no concelho de Benavente (distrito de Santarém), tendo ainda uma pequena parte na freguesia de Canha, já no município do Montijo (distrito de Setúbal).
Em março, não foi detalhado o local exato do campo de tiro no concelho de Alter do Chão e a eventualidade de poder abranger concelhos vizinhos, mas, segundo o ministro da Defesa, a valência terá uma dimensão de cerca de 7.500 hectares.
Em declarações à agência Lusa, Miguel Rasquinho, eleito pelo PS e a cumprir o primeiro mandato na Câmara de Monforte, referiu, com base num mapa sobre o projeto de que teve conhecimento, que o novo campo de tiro vai ocupar terrenos concelhios onde existem produções pecuárias e postos de trabalho criados.
“Vão ser, presumivelmente, ocupados terrenos agrícolas onde é criado gado, onde vivem pessoas, onde é criada riqueza, onde há empregos, e daí a nossa preocupação”, alertou.
“Nós vamos perder uma faixa significativa do concelho de Monforte, a concretizar-se o campo de tiro tal como está neste mapa que nós conhecemos. Vamos perder uma faixa grande do concelho, não nos traz nada de benéfico […], e aquilo que eu vejo e se antevê é que vamos perder empregos e terrenos agrícolas, essa é mesmo a nossa preocupação”, insistiu.
O autarca reuniu-se recentemente com agricultores locais que eventualmente serão afetados pela construção do campo de tiro e alertou ainda que o mapa onde eventualmente poderá ser instalado o projeto contempla uma faixa atravessada por um gasoduto, tendo também já dado conhecimento deste facto ao ministro da Defesa Nacional.
“A minha preocupação, para além dos estudos de impacte ambiental, é também o estudo socioeconómico, o impacto que este campo vai ter no concelho de Monforte, de que forma vai afetar negativamente o concelho, porque de forma positiva, até ao momento, não encontro nada”, disse.
Questionado sobre se a Câmara de Monforte se manifesta assim, à partida, contra o projeto, Miguel Rasquinho explicou que o município “não é contra nem a favor”, mas reiterou que “não encontra nada de benéfico” para a região e que gostava de conhecer vantagens.
“Não há aqui nada que diga que isto poderá ser bom, que trará isto ou aquilo ao desenvolvimento, seja aquilo que for, que é aquilo que nós precisamos nas nossas regiões, particularmente aqui no Alto Alentejo”, disse.














































