A Associação de Produtores do Concelho de Serpa (APROSERPA) enviou um ofício com caráter de urgência à Vice-Presidência da CCDR Alentejo, denunciando a ineficácia das medidas do Governo e o risco de abandono forçado das explorações agropecuárias da região.
A Direção da APROSERPA manifestou hoje a sua “profunda apreensão” face às recentes medidas de apoio extraordinário (RCM n.º 107/2026), considerando-as manifestamente insuficientes para garantir a viabilidade da próxima campanha agrícola. Num ofício dirigido à Eng.ª Helena Cavaco, Vice-Presidente da CCDR Alentejo para a Agricultura, a associação representativa dos produtores de Serpa acusa a atual arquitetura de apoios de falhar na proteção do tecido produtivo, classificando-a como um conjunto de “remendos financeiros” que ignoram a “tempestade perfeita” que o setor atravessa.
O Desprezo pelo Sequeiro e a “Gota de Água” na Pecuária
Entre as principais críticas da associação alentejana está a contínua desvalorização do sequeiro. A APROSERPA considera incompreensível a atribuição de apenas 12 €/ha para o sequeiro (em forte contraste com os 28 €/ha no regadio). A associação sublinha que, embora o regadio enfrente elevados custos energéticos, o sequeiro “vive no fio da navalha”, sendo brutalmente penalizado pelos extremos climáticos e pela exclusão inaceitável das culturas forrageiras destes apoios.
No setor pecuário, os valores estipulados pelo Governo são apelidados de irrisórios. A atribuição de ajudas de 10 a 12 euros para bovinos e de uns meros 1,50 euros por ovino ou caprino é vista como uma “gota de água” perante a escalada prolongada e asfixiante dos custos das rações, da energia e dos tratamentos veterinários.
A Farsa do Gasóleo e o “Efeito Tesoura”
A APROSERPA aponta ainda o dedo ao desfasamento cronológico do apoio ao gasóleo agrícola. A comparticipação de 10 cêntimos por litro abrange apenas os abastecimentos efetuados a partir de 1 de abril, ignorando o período crítico do mês de março — marcado pela escalada internacional de preços devido ao eclodir das hostilidades entre o Irão e os Estados Unidos —, altura em que os agricultores suportaram faturas exorbitantes “sem qualquer rede” para não parar as máquinas.
Para a Direção da APROSERPA, o setor enfrenta um “Efeito Tesoura” fatal: os custos dos fatores de produção estabilizaram em patamares altíssimos, as colheitas e pastagens são cada vez mais curtas devido às alterações climáticas, e os preços pagos à porta da exploração continuam a não cobrir as despesas.
“Exigir que os produtores iniciem a próxima campanha nestas condições é pedir-lhes que assumam 100% de um risco ruinoso”, alerta a associação.
A APROSERPA exige agora que a CCDR Alentejo assuma a liderança e atue como a “voz forte” da região junto do Ministério da Agricultura. Os produtores de Serpa reclamam a criação de verdadeiras ferramentas de estabilização de rendimento e a aplicação rigorosa da lei que proíbe vendas com prejuízo, sob pena de se assistir, a muito curto prazo, ao abandono forçado de muitas explorações no Alentejo.
Fonte: APROSERPA














































