Soalheiro e Adega Cooperativa de Monção esperam vindima de qualidade

Soalheiro e Adega Cooperativa de Monção esperam vindima de qualidade

A empresa Soalheiro e a Adega Cooperativa de Monção, da Região dos Vinhos Verdes, dizem que a vindima deste ano vai ser de “qualidade” superior à do ano passado, ao passo que a “quantidade vai ser ligeiramente superior”.

“Vamos ter uma colheita para fazer esquecer estes momentos difíceis”, disse hoje à agência Lusa o gestor e enólogo dos vinhos Soalheiros, Luís Cerdeira, salientando que as uvas estão a beneficiar de um “clima espetacular em termos de temperatura”.

Luís Cerdeira explica que este final de ciclo “levou a uma maturação mais lenta com a manutenção da frescura aromática e gustativa”, o que diz apontar para “um ano de produção média em termos de quantidade, com expectativas muito otimistas em relação à qualidade”.

O presidente da Adega de Monção, Armando Fontainhas, fala em “expectativas de uma qualidade muito boa” e também observa que “o mês de agosto correu muito bem para a maturação” das uvas, o que proporcionou “uma relação entre a acidez e o grau de açúcar com muito equilíbrio”.

Os dois responsáveis referiram, ainda, que as respetivas adegas irão seguir as normas sanitárias da Direção-Geral da Saúde para prevenir a covid-19. “Fizemos marcações das vindimas para data específicas e não haverá cruzamentos entre os produtores que entregam as suas uvas e os nossos funcionários”, exemplificou Luís Cerdeira.

A Soalheiro tem parcerias com “cerca de 150 produtores locais, os quais garantem “60% das uvas” que permitem a esta empresa fazer todos os anos, em média, “700 mil garrafas”, a esmagadora maioria de vinhos alvarinho, a casta rainha da sub-região de Monção e Melgaço.

Na Adega de Monção, “os cooperantes que vão entregar as suas uvas não podem sair das suas viaturas” e tudo foi planeado para “evitar ao máximo qualquer contacto físico”, destacou Armando Fontainhas. “A medição da temperatura corporal” está entre as medidas preventivas adotadas.

Luís Cerdeira disse que a sua empresa foi a primeira da sub-região a vindimar, ainda em agosto, e “duas semanas antes” já haviam vindimado as castas ‘pinot noir’ e ‘sauvignon blanc’, tendo anunciado “dois novos vinhos baseados em terracota à moda georgiana”.

“Comprámos 12 ânforas novas de terracota, cada uma de 350 litros”, informou, acrescentando que a origem desse vasilhame está na Geórgia, um país situado a sul da Rússia, na fronteira da Europa com a Ásia, e que a Soalheiro fez “uma parceria com dois georgianos, um especialista em enoturismo e outro em enologia”.

O enólogo explicou que irá “fazer algo novo nos alvarinhos clássicos”, explorando as vantagens que a altitude confere aos vinhos, e anunciou também “um alvarinho em contacto com as películas, como se faz nos vinhos tintos e se fazia na Geórgia”.

A Adega de Monção começa na sexta-feira a sua vindima e prepara-se para receber as uvas dos seus mais de 1.700 cooperantes. “Somos o maior operador económico da região. São nove milhões de euros que a Adega põe na economia local todos os anos”, salientou Armando Fontainhas.

O presidente desta adega, o maior produtor da sub-região, notou ainda que este ano foram reconvertidos 64,7 hectares de vinha em Monção e Melgaço ao abrigo do Programa Vitis, o que significou um apoio total de 744 mil euros.

Com a substituição de vinha velha por vinha nova, “a produção tem aumentado ligeiramente e, mais do que isso, a qualidade tem sofrido um grande aumento” com a utilização de modernas técnicas de viticultura que permitem obter um rendimento maior.

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