Obras de manutenção de canais de rega e escassez de água condicionam cultura do arroz

Obras de manutenção de canais de rega e escassez de água condicionam cultura do arroz

As sementeiras das culturas de Primavera/Verão, embora se tenham iniciado ainda no final de Março, estão atrasadas, sobretudo em resultado da precipitação de Abril, que obrigou a muitas interrupções, revela o  Instituto Nacional de Estatística (INE) no seu Boletim Mensal da Agricultura e Pescas – Maio de 2020.

As áreas instaladas no final do mês ainda eram muito reduzidas. No arroz, estão ainda a decorrer maioritariamente os trabalhos de mobilização dos canteiros, mas já se podem antever cenários muito distintos nas principais regiões produtoras: no Baixo Mondego e no Ribatejo, não se estimam variações da área semeada face à campanha anterior; por oposição, no Alentejo, em particular no Vale do Sado, devido às obras de manutenção dos canais de rega de Alcácer do Sal e Grândola, mas também em Odemira, devido à escassez de água na barragem de Santa Clara, prevê-se uma forte diminuição das áreas semeadas (-3 mil hectares).

Globalmente estima-se que a área de arroz se fixe em redor dos 26 mil hectares, 10% abaixo do registado em 2019, referem os técnicos do INE.

Abril chuvoso

O mês de Abril caracterizou-se, em termos meteorológicos, como quente e muito chuvoso.

Quanto às reservas hídricas, o volume de água armazenado nas albufeiras de Portugal continental encontrava-se nos 74% da capacidade total, significativamente acima do valor registado no final do mês anterior (69%) mas ainda abaixo do valor médio de 1990/91 a 2018/19 (78%).

Destaque particular para as albufeiras da bacia do Sado (47%), da bacia do Mira (49%) e da bacia das ribeiras do Barlavento Algarvio (32%), que continuam a apresentar valores muito abaixo da média de 1990/91 a 2018/19 (67%, 80% e 82%, respetivamente), comprometendo a realização de algumas culturas regadas a partir dos aproveitamentos hidroagrícolas dessas bacias.

No entanto, nas restantes regiões, a precipitação ocorrida ao longo do mês permitiu também uma recuperação do armazenamento de água nomeadamente nas charcas e albufeiras de pequena dimensão, alterando o quadro de insuficiência das disponibilidades hídricas das explorações face às necessidades que se registava no final do mês anterior.

Explicam os técnicos do INE que estas condições meteorológicas e hidrológicas causaram alguma perturbação no normal desenvolvimento dos trabalhos agrícolas da época, nomeadamente por obrigarem a diversas paragens, quer devido aos longos períodos de precipitação, quer devido ao posterior estado de completa saturação de muitos solos em água.

Para a maioria das culturas herbáceas esta precipitação foi bastante favorável, promovendo o desenvolvimento vegetativo dos cereais, culturas forrageiras, hortícolas e também de prados e pastagens. No entanto, nos pomares de cereja, as variedades mais precoces foram muito afectadas, havendo ainda registo de prejuízos pontuais em fruteiras e vinhas.

De referir ainda que, com o aumento da temperatura e a ocorrência de precipitação, foram criadas as condições ideais para o desenvolvimento de doenças criptogâmicas, obrigando a um reforço dos tratamentos antifúngicos preventivos.

Agricultura e Mar Actual

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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