Incêndios: Governo admite avançar com valor mínimo para madeira ardida

Incêndios: Governo admite avançar com valor mínimo para madeira ardida

O Governo está disposto a avançar com um projeto-piloto de leilões em que garante um valor mínimo para a madeira ardida abaixo do qual o Estado fica com essa matéria-prima, caso o mercado não funcione.

“O Governo está preparado, se for intenção ou se se vier a justificar, de organizar com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e, este com os municípios, organizar leilões, vendendo a madeira agregada e em pé. Mas, isto só fará sentido se a madeira não estiver a ser paga pelo valor justo”, explicou o secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Paulo Catarino.

O governante deslocou-se hoje a Oleiros, no distrito de Castelo Branco, para participar numa reunião com autarcas e proprietários florestais que foram afetados pelos recentes incêndios que afetaram a região.

João Paulo Catarino explicou aos presentes que o Governo está a avaliar esta questão e adiantou que, pelas informações que tem até ao momento, o mercado está a funcionar em relação à madeira ardida.

“É isto que estamos a avaliar. Se vier a acontecer, nesses leilões o Governo garante um valor mínimo abaixo do qual o Estado paga essa madeira. Se o valor for tão baixo, o Governo pode adquirir a madeira, triturá-la e incorporá-la no solo e, por esta via, regular o preço”, sustentou.

O secretário de Estado da Conservação da Natureza realçou e reforçou a disponibilidade do Governo para avançar com este projeto-piloto na região.

“A madeira não sairá daqui, do proprietário, sem um valor justo. Esta é uma questão que avaliaremos convosco. É uma solução-piloto que nunca foi testada, mas penso que pode funcionar”, sublinhou.

Já sobre os parques de madeira ardida, João Paulo Catarino Questão explicou que já houve várias experiências.

“Todos sabemos que não foram boas experiências. O certo é que ao proprietário florestal, em bom rigor, chegou muito pouco desses apoios em 2005 e em 2017 ou 2018. Não são boa solução (?). O que a prática nos diz é que ao proprietário, esse dinheiro, pouco ou nada chegou. Por isso, essa não pode ser a solução”, concluiu.

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