Greve. CAP quer pelo menos um posto de gasóleo agrícola em cada concelho

A greve dos motoristas de matérias perigosas, onde se inclui o combustível, anunciada com início no dia 12 de Agosto e sem termo, continua a assustar os agricultores. Por isso, a CAP — Confederação dos Agricultores de Portugal reitera a sua preocupação com os “impactos imediatos e muito abrangentes” que poderão resultar da greve.

E preocupa os agricultores “nomeadamente a perturbação do abastecimento de combustível aos equipamentos agrícolas em operação nas áreas onde decorrem colheitas, particularmente de produtos muito perecíveis, como fruta, tomate de indústria, hortícolas, leite, bem como o seu transporte para os respectivos destinos”.

“A CAP continuará a colaborar activamente com o Governo, por forma a garantir que o sector agrícola em colheita, incluindo as necessidades específicas da pecuária, sejam atendidas”

Locais prioritários de abastecimento

Nos últimos dias a CAP intensificou a comunicação com a sua rede de associações agrícolas de todo o País, solicitando o “envio urgente de informação tendo em vista a identificação dos locais que se pretende sejam considerados locais prioritários de abastecimento”.

A informação continua a ser recolhida e, mediante as actualizações, será enviada para o Governo através do Ministério da Agricultura, para que esta seja incluída na definição dos locais e da logística associada à necessária “operação de emergência” que assegurará a operacionalidade de sectores e actividades fundamentais ao funcionamento do País, revela um comunicado da Confederação.

Como indicação genérica, a CAP considera fundamental que “haja postos de abastecimento prioritários em todas as sedes de concelho. Pelo menos um posto em cada sede de concelho, com capacidade de facultar gasóleo rodoviário, mas também gasóleo agrícola”.

Combustível nas associações

Para além destes, dizem os responsáveis pela CAP, “existem locais específicos, em particular nas regiões onde as colheitas estão já a decorrer, como associações agrícolas, cooperativas, etc, que possuem depósitos apropriados e que poderão servir de locais específicos de abastecimento para os agricultores em colheita e seus transportadores”.

Adicionalmente, diz a Confederação ser “crucial garantir o funcionamento das próprias fábricas, assegurando-se que estas têm como abastecer-se. Por exemplo as fábricas de transformação de tomate funcionam com nafta, ou gasóleo, e têm de ser abastecidas numa base quase diária. Se as fábricas pararem os produtos perdem-se na mesma. Tem que se garantir que a cadeia de valor da agricultura em colheita é assegurada”.

A escolha dos postos de combustível

Salienta o mesmo comunicado que regiões como o Douro e o Minho, o Oeste e a Lezíria do Tejo, o Alqueva e o Sudoeste Alentejano, o Mondego e o Fundão, onde está a decorrer a colheita do pêssego, etc, possuem locais próprios que, “se forem devidamente abastecidos, retiram da circulação das estradas centenas de viaturas na busca de postos onde o cidadão comum procurará o seu abastecimento”.

Esses locais foram identificados numa lista enviada ao Governo que a terá tido em consideração e análise na reunião do Conselho de Ministros realizada ontem, aguardando a CAP que a todo o momento as conclusões sejam oficialmente anunciadas.

“A CAP continuará a colaborar activamente com o Governo, por forma a garantir que o sector agrícola em colheita, incluindo as necessidades específicas da pecuária, sejam atendidas”, diz ainda o comunicado da Confederação.

Agricultura e Mar Actual

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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