Florestgal espera gerir 120 mil hectares de floresta em 2060

Florestgal espera gerir 120 mil hectares de floresta em 2060

Estimamos um aumento de três mil hectares por ano”, disse à agência Lusa o presidente da Florestgal, José Miguel Medeiros, referindo que o objetivo passa por chegar a 2060 com cerca de 120 mil hectares sob sua gestão, considerando que, para isso, também vão contribuir “os terrenos que não estão registados, sem dono”.

Apesar da perspetiva de passar a gerir terrenos que no âmbito do cadastro florestal não têm dono identificado, a Florestgal pretende também procurar ativamente terrenos que possa gerir, tendo como preferência acordar arrendamentos a longo prazo, ao invés de os comprar, esclareceu.

“Em princípio, [a empresa] não vai comprar. Não temos capacidade financeira para isso nesta fase. Não queremos ser proprietários. Queremos ser bons gestores”, acrescentou.

Segundo José Miguel Medeiros, cerca de 50 proprietários que totalizam à volta de 300 hectares de terrenos florestais na zona do Pinhal Interior já manifestaram a intenção de entregar a gestão das propriedades à empresa, acreditando que ainda este ano será possível formalizar algum tipo de acordo.

A empresa quer desenvolver uma gestão florestal que olhe para utilizações complementares e diversas dos terrenos, integrando floresta de conservação e de produção, ao mesmo tempo que aposta em setores complementares como a pastorícia ou o turismo, esclareceu.

Realçando que a Florestgal não é “o único instrumento nem o principal” para resolver o problema da floresta em Portugal, o responsável acredita que a atividade da empresa possa ter um efeito mimético – uma espécie de bom exemplo para outros proprietários poderem seguir.

O responsável apenas pede uma coisa: “Não matem o bebé com a água do banho”.

Sendo uma empresa recente e diferente daquelas que existiam em Portugal, o último ano e meio foi de preparação de um plano de negócios que permita à empresa ser viável, estando ainda a consolidar a sua própria equipa.

A Florestgal foi criada a partir de uma empresa pública já existente, a Lazer e Floresta, “herdando” com ela um capital social de 24 milhões de euros (antes da criação da empresa foi reduzido o capital social em 33 milhões de euros), bem como os seus ativos, que neste momento são 12.831 hectares distribuídos por 86 propriedades em 26 concelhos de 13 distritos de Portugal Continental, para além de mais de mil hectares em arrendamento a longo prazo.

A empresa tinha apenas um engenheiro florestal, uma funcionária administrativa e um conselho de administração, referiu.

“Agarrámos numa empresa que já existia, que era uma espécie de imobiliária [vendia e arrendava propriedades rústicas do Estado], e agora passou a ser um construtor ou um urbanista”, esclareceu.

Neste momento, a empresa tem quatro consultores (um engenheiro florestal, um agrónomo, um economista e um assessor), para além de estagiários na área administrativa e da engenharia florestal e dois prestadores de serviços também ligados à floresta.

Para José Miguel Medeiros, a empresa nunca terá muita gente, prevendo ter um quadro de pessoal definido dentro de um ano.

Esta será uma empresa ‘leve’, com “gente muito qualificada” para definir os planos de gestão, tendo como preferência utilizar serviços externos para executar os trabalhos necessários.

“Não seremos uma nova Direção-Geral das Florestas, com milhares de trabalhadores. Seremos uma empresa que vai produzir externalidades nos territórios, gerar uma economia nos territórios. Se um indivíduo consegue criar três equipas de sapadores florestais e dou-lhe trabalho para cinco anos, estou a criar uma micro-empresa e a dar atividade económica nos territórios”, exemplificou.

Face à perspetiva de expansão de territórios sob sua gestão, a Florestgal espera contratar um engenheiro florestal por cada três mil hectares novos que passe a gerir, disse.

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