O Governo dos Açores vai criar um Circuito das Camélias e avançar com um plano de valorização das 27 Reservas Florestais de Recreio para reforçar a conservação do património natural, melhorar acessibilidades e potenciar a oferta, foi hoje anunciado.
O anúncio foi feito pelo secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, durante a apresentação dos resultados sobre as Reservas Florestais dos Açores, na Reserva Florestal de Recreio do Pinhal da Paz, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
O projeto dedicado às camélias prevê a instalação de “um centro mundial de manutenção e conservação” de variedades desta espécie na Reserva Florestal de Recreio do Serrado dos Bezerros, na Ponta Garça, no concelho de Vila Franca do Campo, “tornando os Açores únicos no panorama Europeu Mundial relativamente a esta variedade”.
Segundo António Ventura, o investimento deverá arrancar em 2027, com o objetivo de estar concluído até ao final desse ano e será “um centro de manutenção intergeracional”.
Durante a sessão, Carina Nóbrega, da direção regional dos Recursos Florestais, explicou que o futuro circuito irá reunir “mais de 400 variedades”, algumas delas consideradas raras a nível mundial.
A técnica recordou que a coleção atualmente existente no Pinhal da Paz começou a ser formada durante a recuperação do espaço, em 1998/1999, dispondo atualmente o local “de mais de 30 espécies de camélias adquiridas”.
Segundo Carina Nóbrega, muitas das variedades de camélias foram introduzidas nos Açores “a partir de viveiros de França e Itália”.
“Estes viveiros e algumas quintas foram bastante fustigados pela primeira e segunda Guerras Mundiais. E, há algumas variedades de camélias que desapareceram da Europa e que encontram esse reduto nos Açores”, acrescentou.
O novo espaço pretende preservar esse património genético, homenagear figuras como José do Canto e António Borges, bem como as quintas açorianas que contribuíram para a conservação destas espécies, realçou.
A responsável explicou ainda que o Serrado dos Bezerros foi escolhido por apresentar condições de altitude e de solo particularmente favoráveis ao desenvolvimento das camélias.
Além da criação do projeto das camélias, que segundo o Governo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), é “inovador e central”, a direção regional dos Recursos Florestais e do Ordenamento Territorial apresentou uma candidatura ao programa Açores 2030 para a valorização das Reservas Florestais de Recreio.
De acordo com o secretário regional da Agricultura, o projeto contempla intervenções nas 27 reservas existentes na região, incluindo melhorias nas zonas de lazer e de piquenique, miradouros, equipamentos de apoio, espaços de interpretação da flora e da fauna e a criação de circuitos inclusivos para pessoas com mobilidade reduzida.
“Queremos melhorar a acessibilidade para que todos possam usufruir deste património vivo”, afirmou aos jornalistas António Ventura, acrescentando que algumas intervenções já arrancaram e terão continuidade em 2027.
O secretário regional defendeu ainda que investir na natureza representa também um investimento “na principal marca turística dos Açores”.
“Não há melhor espaço para conhecer o nosso capital natural e a história dos Açores do que as nossas Reservas de Recreio Florestal”, afirmou, destacando o papel dos Serviços Florestais na conservação das espécies endémicas e autóctones e na promoção do bem-estar da população.
Nas estimativas do Governo açoriano, no ano passado frequentaram as 27 reservas cerca de 400 mil visitantes, número que voltará a ser atingido este ano.
António Ventura disse igualmente que “a manutenção destes espaços custa anualmente cerca de 1,5 milhões de euros” e admitiu que, no futuro, poderá ser equacionada uma diferenciação entre residentes e visitantes no acesso aos espaços, sendo que os açorianos deverão continuar a beneficiar de “uma acessibilidade gratuita”.













































