Aquecimento global ameaça secar áreas de cultivo da Europa

Aquecimento global ameaça secar áreas de cultivo da Europa

A Europa sofreu três ondas de calor distintas em 2019, e 11 dos 12 anos mais quentes já registados ocorreram nas últimas duas décadas, segundo o Copernicus.

A seca persistente que afeta culturas como o trigo e o milho em regiões da Europa pode tornar-se mais normal no futuro, ameaçando a produção de alimentos.

A previsão consta de dois estudos da União Europeia, segundo os quais a mudança climática tem reduzido a humidade do solo em importantes áreas de cultivo de grãos do bloco. As secas devem tornar-se mais frequentes durante o resto do século, de acordo com os estudos. As descobertas destacam os riscos para culturas que as 500 milhões de pessoas da região consomem e exportam, e como as economias podem precisar de encontrar novas maneiras de adaptar o cultivo a climas mais secos.

“Mesmo quando chove, às vezes o volume é intenso apenas por curtos períodos”, disse Joaquín Muñoz Sabater, cientista do Serviço de Mudança Climática Copernicus, que estuda a humidade do solo em toda a Europa. “Portanto, mesmo que pareça húmido, o solo nem sempre é capaz de se regenerar, porque as temperaturas após as chuvas permanecem altas.”

A pesquisa “European State of the Climate” do Copernicus mostrou que a humidade do solo estava em níveis historicamente baixos no ano passado. Ao mesmo tempo, cientistas do Centro Comum de Pesquisa da UE preveem secas cada vez mais fortes no sul da Europa até 2100.

Alertas indicam que a catastrófica falta de chuva em partes da Europa ameaça novamente agricultores, que ainda estão a recuper do ano mais quente já registado. As temperaturas médias europeias nos últimos cinco anos ficaram 2 graus Celsius acima das médias registadas na segunda metade do século XIX, segundo o Copernicus.

O satélite Sentinel-2 do Copernicus mostra campos queimados na região da Andaluzia, Espanha, em 21 de junho de 2019
O satélite Sentinel-2 do Copernicus mostra campos queimados na região da Andaluzia, Espanha, em 21 de junho de 2019

A Europa sofreu três ondas de calor distintas em 2019, e 11 dos 12 anos mais quentes já registados ocorreram nas últimas duas décadas, segundo o Copernicus. Inundações em partes do continente no final do ano não conseguiram recuperar totalmente as terras agrícolas após longos períodos de seca, e a humidade do solo atingiu o segundo nível mais baixo desde pelo menos 1979. A Europa Central e áreas próximas ao Mar Báltico foram particularmente atingidas.

“As secas meteorológicas provavelmente aumentarão em frequência e gravidade em grandes áreas do mundo”, escreveram investigadores coordenados pela UE num artigo que será publicado no próximo mês pela Sociedade Americana de Meteorologia. Agricultores de países mediterrâneos enfrentarão secas mais frequentes e graves, enquanto os que cultivam em grandes altitudes no hemisfério norte poderiam reter mais humidade do solo.

O crescente volume de dados de satélite qu estão a ser recolhidos pelo Copernicus e outros cientistas já é usado em políticas e por empresas europeias. A Heineken usou dados do Copernicus para aperfeiçoar a fabricação de cerveja, diminuindo a quantidade de água necessária no processo. A corretora Marex Spectron usou as informações para prever a produção de café, açúcar e cacau.

“Quando se fala sobre árvores de fruto e vinhas, azeitonas ou cacau – cultivos que requerem um longo retorno sobre o investimento -, é importante entender a tendência de longo prazo”, disse o diretor do Copernicus, Carlo Buontempo, numa entrevista. “Isso pode ajudar os agricultores a tomar a decisão de migrar de uma cultura para outra.”

O artigo foi publicado originalmente em Jornal de Negócios.

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