É desta que vamos mudar o mundo rural? Então tome nota

É desta que vamos mudar o mundo rural? Então tome nota

[Fonte: Expresso]

Se houver coragem para colocar na agenda política questões como o povoamento, a valorização dos recursos endógenos, o turismo em espaço rural e a reorganização dos municípios bem como das finanças locais, então estaremos no bom caminho.

É assim que o economista e estratega Augusto Mateus vê o futuro dos territórios de baixa densidade demográfica, normalmente associados ao que há muito se convencionou chamar ‘o Interior’ do país.

Num estudo hoje apresentado em Lisboa, encomendado pela Câmara Municipal de Idanha-A-Nova, a que o seu presidente resolveu chamar ‘Mundo Rural Porque Sim’, ficou claro que o choque traumático causado pelos incêndios do verão passado pôs, pelo menos, o país a pensar no drama do abandono dos campos e das poucas pessoas que ainda o habitam, assim como no que se pode fazer a partir do que ali ficou.

LUÍ­S BARRA

Augusto Mateus diz que é preciso levar a sério as questões do povoamento e, em simultâneo, do planeamento, embora Portugal não goste muito de nenhuma delas. Além disso, “para produzir riqueza no mundo rural tenho de ter serviços e de qualidade: boas escolas, creches, hospitais, etc. Caso contrário, como é que convenço alguém a mudar-se para o Interior se não lhe consigo proporcionar os serviços que, também ali, lhe permitam ter uma vida de qualidade?”, interroga aquele especialista em questões territoriais. E defende ainda uma política de incentivos públicos que não olhe para trás – para o subsídio ao velhinho que ficou na aldeia – mas sobretudo para a frente, para a captação de valor, de inovação, de conhecimento e de investimento.

Mas, a verdade, é que “por falta de clarividência estratégica o país tem desperdiçado 2/3 do seu território”, sublinha ainda Augusto Mateus.

No estudo hoje divulgado publicamente – e que o presidente do município de Idanha-A-Nova fez questão de oferecer ao Governo, “para que se possam fazer políticas a sério para a ruralidade do país” – a principal mensagem é a de que “o progresso do mundo rural não é ‘transformar-se’ numa cidade”. Nada disso. “O progresso do mundo rural faz-se considerando a existência do mundo urbano, estabelecendo com este as necessárias articulações funcionais e temáticas e, sobretudo, atribuindo valorização económica e objetivos de coesão territorial aos trunfos que o diferenciam do urbano.

As quatro alavancas para a mudança do mundo rural, identificadas pela equipa de Augusto Mateus são as seguintes:

– Identidade e recursos endógenos, com o objetivo de povoar, atrair pessoas e criar riqueza para mercados e procuras mais vastas a todos os níveis (local, regional, nacional, ibérico, europeu, mundial)

– Inovação e produção para que assim se consiga atrair empresas e investimento

– Mobilização par o turismo, a cultura e o património, de forma a valorizar uma internacionalização com base na resposta às procuras de consumo centradas na cultura e no património

– Aposta na sustentabilidade ambiental, para explorar e desenvolver o capital natural, os novos serviços públicos ambientais e os novos paradigmas de desenvolvimento sustentável.

Opinião de Vítor Andrade

Comente este artigo
Anterior Conheça um projeto ibérico de sucesso
Próximo Oferta de emprego - Engenheiro Agrónomo (M/F) - Odemira

Artigos relacionados

Nacional

“É urgente agir”. Perda catastrófica de biodiversidade ameaça humanidade, alerta ONU

[Fonte: O Jornal Económico]

O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) que concluiu que os humanos podem extinguir até um milhão de espécies foi apresentado esta segunda-feira em Paris. Os cientistas alertam que só uma transformação profunda dos sistemas económico e financeiro globais poderão salvar do colapso ecossistemas essenciais à […]

Nacional

Novo Quadro Financeiro Plurianual pode corrigir desequilíbrios de Portugal

[Fonte: ECO]

O presidente do Conselho Económico e Social (CES), António Correia de Campos, defendeu esta terça-feira, em Lisboa, que os fundos de coesão, no âmbito do próximo quadro plurianual, podem corrigir desequilíbrios de Portugal, como a degradação das infraestruturas. […]

Comunicados

ANPOC aposta na produção nacional e lança marca Cereais do Alentejo – 31 de maio – Santo Aleixo, Monforte

A Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC) apresenta, no próximo dia 31 de maio, a partir das 13h, na Herdade da Torre do Frade em Santo Aleixo, concelho de Monforte, a marca de cereais não processados e 100% nacional, Cereais do Alentejo. […]