Designação de áreas protegidas é insuficiente para reduzir pressão da atividade humana

Designação de áreas protegidas é insuficiente para reduzir pressão da atividade humana

O estudo, publicado no boletim científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), lembra que as áreas protegidas são vitais para a preservação da Terra e para o abrandamento das mudanças climáticas, mas conclui que estes motivos não têm sido suficientes para reduzir a pressão da atividade humana.

Os resultados do estudo mostram a falta de envolvimento das comunidades locais nas áreas protegidas e a falta de financiamento para as tornar efetivas.

“O estabelecimento rápido de novas áreas protegidas para atender às metas globais sem fornecer investimentos e recursos suficientes, dificilmente interromperá a crise de extinção” de espécies animais e vegetais, disse o principal autor do estudo, Jonas Geldmann, do Instituto de Pesquisa em Conservação da Universidade de Cambridge.

Os cientistas usaram dados de satélite, sobre distribuição de luzes noturnas e agricultura, bem como dados de censos e rendimento de culturas, para avaliarem os níveis de invasão humana em 12.315 áreas protegidas entre 1995 e 2010.

Os cientistas mediram os efeitos nas áreas protegidas quando comparadas com zonas não protegidas e concluíram que a maioria das áreas protegidas sofreu aumentos da pressão humana, mas no hemisfério norte e na Austrália a proteção mostrou-se mais eficaz na redução da invasão humana quando comparada com habitats desprotegidos.

Na América do Sul, África subsaariana e sudeste Asiático, a pressão causada pela atividade humana nas áreas protegidas é “significativamente maior” em comparação com os dados de há 15 anos.

“O nosso estudo sugere que as áreas protegidas em partes mais remotas e selvagens dos trópicos sofreram aumentos alarmantes na pressão humana desde 1995. Esses lugares abrigam uma quantidade desproporcionalmente alta da biodiversidade da Terra e desempenham um papel insubstituível na manutenção das espécies ameaçadas”, diz Geldmann no estudo.

Nas pastagens subsaarianas, as áreas cultivadas nas áreas protegidas aumentaram quase o dobro em relação à taxa observada em terras não protegidas, nos mangais africanos a pressão da agricultura aumentou cerca de 13% mais nas áreas protegidas e no sudeste Asiático a agricultura aumentou mais 8% nas áreas protegidas do que nas áreas não protegidas.

Da mesma forma, algumas áreas florestais da América do Sul, viram a invasão agrícola aumentar cerca de 10% em áreas protegidas.

Os aumentos da atividade humana foram particularmente evidentes nas áreas protegidas da África oriental e central.

“O estudo mostra que a agricultura é a força motriz por trás das ameaças às áreas protegidas, particularmente nos trópicos”, refere Geldmann.

“Os dados não revelam as causas, mas suspeitamos que os fatores que desempenham um papel importante incluem o rápido crescimento populacional, falta de financiamento e níveis altos de corrupção. Além disso, a maioria das terras desprotegidas adequadas para a agricultura já está cultivada”.

Geldmann referiu ainda que “a ambição de atribuir estatuto de área protegida a 17% das áreas ainda selvagens até ao final desta década, que devem aumentar para 30% numa reunião no próximo ano na China, não significarão muito se não forem acompanhadas de recursos suficientes para garantir a preservação de habitats preciosos”.

O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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