Conservacionistas lançam aliança ibérica para salvar o Montado

Conservacionistas lançam aliança ibérica para salvar o Montado

[Fonte: Wilder] Organizações portuguesas e espanholas querem encontrar soluções para garantir o futuro de um ecossistema único que se encontra em estado crítico.

A Aliança Ibérica pelo Montado está a ser apresentada ontem e hoje em Coruche, durante uma conferência que reúne produtores, proprietários, investigadores e especialistas.

“O objectivo é criar uma comunidade de aprendizagem para encontrar soluções partilhadas que aumentem a viabilidade socioeconómica dos montados, preservando os seus valores naturais”, explicou, em comunicado, Celsa Peitado, coordenadora de Política Agrária e Desenvolvimento Rural da WWF Espanha.

“Trabalharemos em políticas agrárias e florestais, ferramentas de mercado e em outras iniciativas inovadoras que sejam propostas”, acrescentou.

A procura de soluções começou já no encontro em Coruche. Ao longo de dois dias, os participantes vão criar uma “comunidade de aprendizagem partilha de experiências inovadoras”, segundo o comunicado da ANP (Associação Natureza Portugal) – WWF.

O montado atravessa uma “crise que ameaça o seu futuro”, que se traduz em “problemas de regeneração e envelhecimento das árvores, compactação e perda de solo e aumento na virulência de pragas e doenças”.

Na origem desta situação está o desaparecimento de práticas tradicionais vitais para a conservação do montado, tendo sido substituídas pela intensificação da gestão das herdades, sublinha a ANP – WWF.

O montado “é responsável por uma boa quota-parte do nosso mercado exportador e traz benefícios que tomamos por garantidos mas que poderão desaparecer se não nos acautelarmos”, disse Rui Barreira, director de conservação da ANP – WWF.

Foto: Nuno Barreto Visuals

Entre esses benefícios estão a água e a matéria orgânica do solo, cruciais para a produção de alimentos.

Além disso, o montado “funciona como barreira contra a desertificação e tem grande potencial no que respeita à adaptação às alterações climáticas, prevenindo incêndios rurais”, acrescentou.

Na opinião deste especialista “faz todo o sentido que Portugal e Espanha unam esforços pela sua conservação. Além disso temos muito a aprender uns com os outros”.

E já há bons exemplos para seguir. Estas boas práticas serão premiadas em Coruche com o galardão Green Heart of Cork, uma iniciativa de pagamento de serviços ambientais no montado que a ANP – WWF tem a decorrer desde 2011.

O prémio deste ano, no valor de 6.000 euros, distingue os produtores de cortiça Herdade da Escusa, Herdade dos Morenos, Herdade da Barroca, Herdade da Torre e Carrascal, Herdade da margem de Cim e Herdade da Pereira.

Estas herdades “apresentam práticas de gestão florestal responsáveis e que respeitam o ambiente, contribuindo para a preservação da biodiversidade e dos serviços ambientais”.

A região de Coruche tem a maior área contínua de montado de sobro a nível mundial, com cerca de 500 mil hectares, e o maior aquífero nacional, o aquífero da Bacia Tejo-Sado. Nesta região vivem várias espécies de aves, répteis e anfíbios, ou mamíferos ameaçados e nativos.

A par das regiões espanholas de Córdoba e Badajoz, Coruche é uma das zonas onde estão a ser postas em prática estratégias de regeneração do montado, com a ajuda da ANP – WWF, WWF Espanha e transumância Y Naturaleza.

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