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– 08-05-2008 |
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Autarquias e pequenos produtores v�o criar associa��o para "salvar" 700 produtos tradicionais portuguesesAutarquias e pequenos produtores v�o criar uma associa��o para proteger os mais de 700 produtos tradicionais portugueses que correm "risco de desaparecer" devido � legisla��o em vigor, disse � agência Lusa a especialista Ana Soeiro. "Felizmente os presidente de c�mara estáo a perceber [os riscos que estes produtos correm], porque as empresas come�am a fechar e as pr�prias autarquias a ter menos rendimentos", adiantou Ana Soeiro, engenheira agr�noma que trabalha h� 30 anos nesta área e que recomenda ao Governo a maior urg�ncia na resolu��o desta situa��o. Ana Soeiro, em declarações � Lusa, considerou que os mais de 700 produtos – tais como v�rios tipos de alheiras e outros enchidos, o arroz carolino do Baixo Mondego, a banha vermelha de Estremoz, o folar de Barroso – poderiam beneficiar de "derroga��es [da União Europeia] para os produtos tradicionais", que assegurariam a sua continua��o. Na pr�tica, estas derroga��es são excep��es � Lei que t�m de ser comunicadas pelos Governos � Comissão Europeia e aos restantes Estados-membros e que t�m sido utilizadas por outros países da UE. Para não deixar morrer estes produtos, a futura associa��o – QUALIFICA, Associa��o Nacional de Munic�pios e de Produtores para a Valoriza��o e Qualifica��o dos Produtos Tradicionais Portugueses – irá realizar ac��es de promo��o para preservar e vender estas iguarias tradicionais. Segundo a engenheira agr�noma, estes produtos estáo amea�ados pela legisla��o em vigor que "� desajustada e complexa". "Se isso não for feito [o uso das derroga��es], este produtos desaparecem ou, pelo menos, deixam de ser feitos como são", disse, alertando que h� produtores a fechar as portas porque t�m receio das multas e dos encerramentos e que o interior está desertificar-se por causa disso. "H� muita gente em torno destes produtos. são os pastores, os matadouros, os que transportam, os que vendem e os que fazem as embalagens e os r�tulos", sublinhou, comentando que era "escusada esta confusão toda". Ana Soeiro elaborou uma lista dos produtos tradicionais portugueses em risco – "seguramente mais de 700" – que podem vir a desaparecer. "são mais de 700 produtos tradicionais portugueses que correm o risco de desaparecer e que v�o desde os queijos, as queijadinhas, os azeites, o mel, frutas, produtos hort�colas, carne dos animais autoctones, entre muitos outros", sublinhou. Na lista elaborada por Ana Soeiro, com a ajuda de pequenos produtores e autarquias, encontram-se as alheiras de Boticas, o arroz carolino do Baixo Mondego, a banha vermelha de Estremoz e Borba, o bucho da Guarda, o folar de Barroso, a lampreia do Convento de Santa Clara de Portalegre, o mel de C�a, os bolos l�vedos, as cavacas das Caldas, as xer�vias do Fund�o, as trouxas da Madeira e as tortas de Azeit�o. A especialista, que trabalhou quase 30 anos no Ministério da Agricultura e no ano passado resolveu sair, frisou que Portugal � dos "�ltimos da Europa a ter esses produtos que fazem a diferen�a". "� uma �dor de alma` ver os pequenos produtores deixarem de laborar, as t�picas tabernas portuguesas encerrar porque as pessoas não aguentam os disparates que exigem", sustentou. Lamentou ainda o facto de Portugal ser "o único país da Europa que não aproveitou as derroga��es permitidas pelos regulamentos comunitários". "� inc�ria as pessoas pensarem que o importante � o milh�o. As coisas pequenas Também d�o milhões de outra maneira", afirmou, lembrando os turistas que procuram Portugal pela gastronomia. "Se o turista vem c� e n�s damos-lhes uvas da Argentina, ma��s de Fran�a ou carne da B�lgica o que � que vem c� fazer?", questiona.
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