Ambientalistas europeus criticam a Estratégia para a Pecuária e o Plano para as Proteínas, hoje apresentados pela Comissão Europeia, considerando que lhes falta coerência e medidas concretas e que são mesmo contraditórios.
Os dois documentos “transmitem sinais muito diferentes sobre o futuro alimentar da Europa”, diz em comunicado o Gabinete Europeu do Ambiente (EEB, na sigla original), a maior rede de organizações não-governamentais de ambiente da Europa.
A Comissão apresentou hoje em Estrasburgo, França, as duas propostas, afirmando que divulga ainda este ano uma atualização das normas de bem-estar animal relativas às galinhas poedeiras e aos frangos de carne, seguida de outra para os suínos em 2027.
Bruxelas está ainda a preparar um regime financeiro para reforçar a gestão de riscos para o setor da pecuária, e reduzir a pegada de carbono do setor em 16% até 2035. E quer aumentar a produção de culturas proteicas na Europa.
Sobre os dois documentos o EEB afirmou: “Enquanto o Plano para as Proteínas reconhece a necessidade de dietas ricas em vegetais e de culturas proteicas locais, a Estratégia para a Pecuária reforça um modelo industrial que prejudica os animais, a natureza, os pequenos agricultores e as comunidades rurais”.
Em vez de apresentar “uma visão coerente para um sistema proteico sustentável e resiliente”, a Comissão optou por “propagar narrativas poluentes da indústria”, acusaram os ambientalistas.
Especialmente critico quanto à estratégia, o EEB apontou que é o lucro que surge como prioridade, disse que falta ao documento medidas concretas para ajudar os agricultores, e considerou que defende pelo contrário “um status quo destrutivo”.
Na Europa, alertou, a pecuária está a concentrar-se em vastas instalações industriais controladas por um número cada vez menor de grandes empresas. As “mega-quintas” são as principais responsáveis pela poluição da água, do solo e do ar, e ainda alimentam riscos crescentes à saúde.
Os ambientalistas defendem “uma transição justa” no setor pecuário da União Europeia, com uma redução do número de animais, e apontam também a necessária redução das emissões de metano, um dos principais responsáveis pela poluição por ozono troposférico e que tem “consequências devastadoras para a saúde humana e ambiental”.
E se a Comissão reconhece a necessidade de reduzir as emissões, também optou, mais uma vez, por proteger a agricultura europeia da responsabilidade por estas emissões, acusou o EEB, que alertou que o setor não contribuirá com a sua justa quota-parte de redução de emissões.














































