Um abate de árvores em maio em Cortegaça, um dos vários alvos de protesto, foi em área desafetada em 2001 e envolveu sobretudo o corte de acácias, uma espécie invasora, esclareceu hoje o presidente da Câmara de Ovar.
“A última [operação] aconteceu precisamente aqui na zona específica de Cortegaça, num designado parque merendeiro, que foi desafetado do regime florestal em 2001, e só agora o ICNF veio proceder ao corte das árvores. Porquê só agora? (…) Não sei por que não cortou até aqui, nos últimos anos a câmara e a junta de freguesia sinalizaram um conjunto de árvores com risco de queda”, explicou Domingos Silva, junto ao pinhal dunar, na zona de Maceda.
Segundo o autarca daquele concelho do distrito de Aveiro, há “muita desinformação” quanto ao Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, e neste último caso, ocorrido em maio, são 480 árvores ao todo, das quais “430 são acácias, uma espécie invasora”, sendo apenas alguns exemplares de pinheiros, admitindo problemas na comunicação com o ICNF.
Não foi só aquela zona que sofreu cortes, de resto, mas também outras em Maceda, sob a alçada do ICNF, de quem o plano de gestão florestal “é público”, existindo desde 2016.
Quanto a esta última ação, contudo, houve “uma falha de comunicação” com o ICNF, referiu, uma vez que a câmara não soube quando é que este se daria.
No pinhal, “as sementes são boas sementes”, o que permite “a regeneração do pinhal”, tendo surgido já “árvores com cerca de 30 centímetros” em zonas em que foram cortados alguns talhões.
O perímetro florestal tem 2.500 hectares e está dividido nos polígonos norte e sul, tendo de 2016 para cá um plano de gestão. Antes disso, “o ICNF fazia a gestão da floresta da melhor forma que entendia, mas não de forma esturutrada”.
“Um conjunto de pessoas começaram a associar o plano de gestão a cortes da floresta, a abate da floresta, o que não é totalmente verdade, porque o plano de gestão não é só um plano de cortes, é muito mais do que isso, é, de facto, um plano de gestão da nossa floresta”, acrescentou.
Uma petição da associação Mais Pinhal, hoje com 5.697 assinaturas, exige que sejam travados os cortes rasos e a suspensão imediata das operações de gestão florestal em curso no Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, estando a promover uma petição para levar ao parlamento e que permita travar os cortes rasos.
A petição pretende convencer o parlamento a suspender as operações no Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, após repetidas falhas no compromisso de aí se evitarem cortes rasos.
Perante novos talhões de terreno, onde “o arvoredo foi cortado na totalidade”, a Mais Pinhal exige “a suspensão imediata das operações de gestão florestal em curso, baseadas no corte raso”, e “a abertura de um processo de investigação independente para apurar eventuais ilicitudes na elaboração e aprovação do plano” – até porque, fiscalizações anteriores, na sequência de forte contestação popular, foram conduzidas pelo próprio Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), que é parte envolvida na gestão dessa floresta.
No documento disponível na plataforma ‘online’ “Petição Pública”, o grupo acrescenta querer ainda a formulação de um novo plano “que garanta a proteção efetiva da floresta, respeitando os princípios da sustentabilidade e do interesse público”, e no qual haja “um processo participado de discussão pública, envolvendo cidadãos, especialistas, associações, etc.”.
O Plano de Gestão para o Perímetro Florestal das Dunas de Ovar prevê, até 2038, o corte de cerca de 363 hectares de pinhal, área equivalente a cerca de 500 campos de futebol. Segundo a associação ecologista, o próprio documento estipula que, “para aumentar a resistência a pragas e incêndios, deveriam ser realizados cortes em pequenas áreas, distribuídos ao longo de toda a floresta”, mas aquilo a que se vem assistindo “é o corte raso contínuo de áreas extensas”.














































