A Universidade Lusófona está a reforçar a capacidade de ensino, investigação e prestação de cuidados médico-veterinários com a criação de dois novos polos: o Consultório Veterinário Universitário de Animais de Companhia, em Lisboa, e o Hospital Pecuário do Catapereiro, na Companhia das Lezírias. O investimento, superior a 4,5 milhões de euros, pretende responder ao crescimento da atividade clínica e do número de estudantes, alargando também as oportunidades de formação prática em medicina de animais de companhia e espécies pecuárias.
Em entrevista à Veterinária Atual, Laurentina Pedroso, diretora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Lusófona e provedora nacional do animal, explica que os novos espaços permitirão melhorar as condições de ensino, ampliar a capacidade de atendimento e aprofundar a investigação aplicada. O projeto inclui ainda uma estrutura dedicada à formação e intervenção em situações de emergência e resgate animal.
Novos consultórios reforçam atendimento em Lisboa
Do investimento global, 500 mil euros destinam-se ao Consultório Veterinário Universitário de Animais de Companhia, na Avenida da Igreja, em Lisboa.
A nova infraestrutura surge em resposta ao aumento da procura pelos serviços do Hospital Veterinário Universitário e ao crescimento do número de estudantes, docentes e profissionais da instituição.
“Os grandes objetivos são continuarmos a inovar e a expandir a nossa capacidade de ensino e de prestação de serviços à sociedade, à comunidade”, afirma Laurentina Pedroso, explicando que o crescimento da atividade tornou necessário reforçar as instalações existentes.
Com cerca de 750 metros quadrados, a unidade terá dez consultórios, áreas de radiologia, ecografia e ecocardiografia, além de espaços destinados à oncologia. Segundo a diretora, aproximadamente 300 metros quadrados serão dedicados a gatos e outros 300 metros quadrados a cães.
Os consultórios disponibilizarão valências como dermatologia, oftalmologia, cardiologia, hematologia, odontologia, ortopedia, medicina interna, geriatria, neonatologia, medicina geral, oncologia, animais exóticos, comportamento e bem-estar animal.
A abertura permitirá também reorganizar a atividade do Hospital Veterinário Universitário, no Campo Grande, que continuará a concentrar as urgências, cirurgias, cuidados intensivos e internamentos.
“O nosso hospital vai ficar mais arejado, mais liberto, e vai estar essencialmente para o atendimento de emergências e urgências”, explica a responsável.
O novo consultório será orientado sobretudo para consultas programadas, enquanto o hospital manterá o funcionamento permanente, incluindo o atendimento de urgências médicas e cirúrgicas e a atividade de internamento.
Os grandes objetivos são continuarmos a inovar e a expandir a nossa capacidade de ensino e de prestação de serviços à sociedade, à comunidade.
Mais espaço para ensino clínico e investigação
A expansão pretende igualmente melhorar as condições de aprendizagem dos estudantes, que poderão acompanhar casos clínicos reais nos novos consultórios, utilizados também como espaços de aulas.
Laurentina Pedroso considera que o aumento da área disponível é relevante para assegurar melhores condições de trabalho e de interação entre docentes, alunos, profissionais, tutores e animais.
“É importante para o equilíbrio e para a saúde mental termos infraestruturas novas, capacitadas e com espaço para o exercício da profissão”, sublinha.
A diretora destaca ainda a necessidade de articular a prestação de cuidados com as exigências do ensino clínico universitário.
“O espaço vai permitir-nos uma melhor interação entre docentes, alunos e clientes. O que pretendemos é que esta aprendizagem seja melhor, não só porque o aumento de casuística que já temos é muito grande, mas porque vão poder acompanhar essa casuística em melhores condições de trabalho”, explica.
A responsável salienta também a importância da investigação aplicada, desenvolvida a partir da diversidade de casos acompanhados pela instituição.
“Fazemos muita investigação aplicada. Muitas vezes, os animais surpreendem-nos com casos extraordinários”, refere, associando a atividade clínica à produção de conhecimento e à formação dos estudantes.
Segundo Laurentina Pedroso, cerca de um terço dos animais acompanhados pela instituição encontra-se em situação de carência ou abandono, chegando ao hospital através de associações de proteção animal, centros de recolha oficial e entidades municipais.
É importante para o equilíbrio e para a saúde mental termos infraestruturas novas, capacitadas e com espaço para o exercício da profissão.
Quatro milhões de euros para hospital pecuário
O Hospital Pecuário do Catapereiro representa a maior parcela do investimento, com quatro milhões de euros destinados à criação de uma estrutura dedicada sobretudo a animais de produção e de grande porte.
Localizado na Companhia das Lezírias, o hospital tem inauguração prevista para novembro de 2026 e contará com valências de medicina, cirurgia, reprodução e internamento, recebendo bovinos, equídeos, ovinos, caprinos e suínos.
O projeto inclui ainda uma sala de necropsias, cerca de 500 metros quadrados de laboratórios de investigação e uma área destinada ao isolamento de animais suspeitos de doenças infetocontagiosas.
Laurentina Pedroso explica que a unidade permitirá complementar o ensino atualmente desenvolvido nas explorações pecuárias e nas atividades acompanhadas por médicos veterinários de campo.
“Faz todo o sentido porque podemos criar, em condições hospitalares, situações que hoje os nossos alunos veem praticamente no campo, em ambulatório”, afirma.
A responsável identifica a cirurgia de espécies pecuárias como uma das áreas em que a nova estrutura poderá ampliar as oportunidades de formação.
“A nível hospitalar, vamos poder colmatar necessidades de inovação em cirurgias que não se praticam tão comummente, e isto tem a ver com todas as espécies, quer bovinos, quer pequenos ruminantes, quer suínos”, explica.
O hospital pretende também apoiar os profissionais que trabalham no terreno, recebendo casos que necessitem de recursos especializados ou de intervenções que não possam ser realizadas nas explorações.
A localização numa região de atividade agrícola e agropecuária constitui outro elemento da estratégia. “Estar numa zona agrícola e de atividade agropecuária permite-nos estar mais próximos dos agricultores e da realidade do setor”, destaca Laurentina Pedroso.
A unidade terá igualmente condições para receber, em isolamento, animais de grande porte suspeitos de doenças infetocontagiosas, incluindo equídeos.
O espaço vai permitir-nos uma melhor interação entre docentes, alunos e clientes. O que pretendemos é que esta aprendizagem seja melhor, não só porque o aumento de casuística que já temos é muito grande, mas porque vão poder acompanhar essa casuística em melhores condições de trabalho.
Resgate animal e resposta a catástrofes
O projeto do Catapereiro integrará ainda o Centro de Competências em Emergência, Resgate e Resiliência Animal, destinado à formação e à prestação de cuidados em situações de crise, acidente ou catástrofe.
A estrutura contará com modelos de cavalos e bovinos em tamanho e peso reais, entre 300 e 400 quilos, para a realização de exercícios práticos de resgate.
“Vamos ter o nosso centro, que está dotado de modelos em tamanho real e peso real, que permitem simular vários treinos em situações de emergência animal e resgate”, explica Laurentina Pedroso.
Além dos estudantes e médicos veterinários, a formação será dirigida a profissionais da proteção civil, bombeiros e voluntários. A diretora associa esta aposta à legislação publicada em agosto de 2026, que, segundo refere, passou a integrar os animais nos planos municipais e nacionais de proteção civil.
O centro pretende igualmente acolher e tratar animais afetados por acidentes e catástrofes. A existência de parques exteriores permitirá assegurar a recuperação de animais que necessitem de permanecer sob cuidados durante períodos prolongados.
“Vai também poder proporcionar o tratamento aos animais acidentados e permitir a recuperação desses animais, que por vezes demoram semanas ou meses”, refere.
A instituição prevê ainda uma verba específica de aproximadamente 250 mil euros para apoiar situações de emergência, nomeadamente em articulação com as autarquias.
“Vamos ter uma verba de cerca de 250 mil euros alocada para ajudar nestas situações, ajudando, portanto, os municípios a resolver problemas”, adianta a diretora.
Laurentina Pedroso enquadra esta intervenção na colaboração que a faculdade já desenvolve com entidades públicas, incluindo a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e diferentes municípios, no apoio a animais em situação de risco.
O objetivo é muito simples: a excelência no ensino, na investigação e no apoio à sociedade e à nossa comunidade.
Formação e apoio à comunidade
Para além do aumento da capacidade de atendimento, os dois polos pretendem reforçar a formação graduada, pós-graduada e contínua desenvolvida pela Faculdade de Medicina Veterinária.
A instituição dispõe, além do mestrado integrado em Medicina Veterinária, de quatro mestrados profissionais e quatro pós-graduações em áreas clínicas, incluindo animais de companhia e equídeos, promovendo também cursos avançados e programas de curta duração.
Laurentina Pedroso considera que os novos espaços permitirão aproximar a formação académica das condições reais do exercício profissional, proporcionando contacto com diferentes espécies, contextos clínicos e áreas de intervenção.
“O objetivo é muito simples: a excelência no ensino, na investigação e no apoio à sociedade e à nossa comunidade”, afirma.
A diretora destaca ainda a importância de preparar os futuros médicos veterinários para funções relacionadas com a saúde pública, a saúde e o bem-estar animal, mantendo a investigação e a prestação de serviços como componentes da atividade universitária.
“Tudo isto só faz sentido se o trabalho que fizermos resultar num benefício para a sociedade”, conclui, sublinhando que a expansão deverá contribuir tanto para a qualificação dos profissionais como para a capacidade de resposta da instituição às necessidades da comunidade.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.















































