Os helicópteros Black Hawk da Força Aérea estiveram envolvidos este ano em 56 missões de combate a incêndios, durante mais de 200 horas, e o ramo prevê reforçar este dispositivo em 2027 com as aeronaves C-130.
Estes dados foram anunciados durante uma cerimónia sobre a execução do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) no âmbito da aquisição das aeronaves UH-60 Black Hawk e AW119 Koala, que decorreu com estas aeronaves expostas nas instalações do Estado-Maior da Força Aérea, em Alfragide, Lisboa.
Este ano, e até à data, a esquadra “551- Panteras” esteve empenhada em 56 missões de combate a incêndios, em articulação com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que se traduziram em mais de 200 horas de voo e mais de 900 descargas.
No âmbito do PRR – que termina este ano – Portugal adquiriu um total de 13 helicópteros Black Hawk, nove vocacionados para o combate a incêndios rurais e mais quatro, anunciados por Nuno Melo no ano passado, para apoio à emergência médica.
Este ano, a Força Aérea participou pela primeira vez no combate direto aos incêndios no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) com estes helicópteros, marcando uma nova fase do apoio militar em missões de cariz civil. Estas aeronaves têm a vantagem de conseguir atuar em locais muitas vezes inacessíveis pelos bombeiros.
No final da cerimónia, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Sérgio Pereira, adiantaram que a expectativa é ter no terreno no próximo ano também os aviões C-130, já equipados com os dois kits de combate a incêndios adquiridos pelo Governo, um investimento de cerca de 16 milhões de euros.
Nuno Melo apontou ainda que a estes meios deverão juntar-se, em 2029 e 2030, os bombardeiros pesados Canadair.
Durante a cerimónia, o ministro da Defesa Nacional realçou que “quando os recursos são escassos, o Estado está obrigado a racionalizar meios para conseguir as melhores respostas” e defendeu que as Forças Armadas, “representando o Estado, devem assegurar que se tudo falhar esse Estado lá está porque tem meios”, referindo-se ao combate aos incêndios.
Nuno Melo recordou ainda as críticas feitas no ano passado à aquisição dos quatro helicópteros Black Hawk que se vão dedicar à emergência médica, insistindo que estes equipamentos vão servir este propósito e são adequados para aterrar nos heliportos destinados ao efeito.
O Chefe do Estado-Maior da Força Aérea enalteceu que “Portugal passou a deter uma capacidade própria e permanente” no combate a incêndios, desenvolvida “praticamente de raiz”, definindo-o como “um verdadeiro projeto de Estado”.
O general Sérgio Pereira aproveitou a ocasião para alertar para a necessidade de reter os militares da Força Aérea, com vários anos de formação, que resultam numa excelência operacional “dificilmente substituível”.
Também presente na cerimónia, o Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, adiantou que comparativamente a 2025, registaram-se mais 5,4% de número de incêndios, “e mesmo assim, até o dia de ontem, 72,4% a menos de área ardida”.
Nesta ocasião, Nuno Melo foi novamente questionado acerca do processo de substituição dos caça F-16 e sobre se no processo de ponderação será tido em conta o facto de o Presidente da República já ter insistido que a União Europeia (UE) deve ter autonomia em matéria de Defesa, optando por comprar tecnologia internamente, e sugerido uma concertação sobre os modelos de aviões.
Nuno Melo realçou que Portugal vai investir 5,8 mil milhões de euros em Defesa europeia no âmbito do SAFE, com retorno económico para o país, e afirmou que o Governo tem noção da necessidade de reforçar o pilar europeu de Defesa no âmbito da NATO.
“Agora, temos é que ter em conta tudo o resto, convém também que a Europa faça aquilo que comparativamente podemos encontrar noutros lados”, acrescentou.
Realçando que há um conjunto variado de fatores a ter em conta, Nuno Melo insistiu que o processo ainda não está aberto e sublinhou que “não há nenhuma decisão no que tem a ver com equipamento militar emocional ou intuitiva”.
“As justificações são fundamentalmente técnicas e devem respeitar um conjunto de critérios que depois são tidos em conta pelo Governo no momento da escolha efetiva”, completou.
O negócio está a ser disputado entre os norte-americanos da Lockheed Martin (que produzem os F-35 Lightning II), os suecos da Saab (Gripen E), o consórcio europeu que inclui a Airbus (caças Eurofighters Typhoon) e os franceses da Dassault Aviation (Rafale).













































