Investigadores da Academia Chinesa de Ciências desenvolveram nanopartículas de sílica que aumentam a adesão dos pesticidas às folhas das culturas, mantendo o produto no lugar mesmo depois da chuva. Segundo a equipa, a solução pode reduzir o desperdício de pesticidas e a necessidade de pulverizações repetidas.
Em testes com folhas de algodoeiro, soja e tomateiro, após uma simulação de chuva, a quantidade de produto que permaneceu nas folhas foi mais de 4,8 vezes superior à registada com um produto comercial à base de imidaclopride, um inseticida de uso corrente, de acordo com o estudo, publicado no Journal of Controlled Release pelos Institutos de Ciências Físicas de Hefei.
Segundo os investigadores, a pulverização convencional de pesticidas é pouco eficiente: a superfície das folhas está revestida por uma camada cerosa e hidrorrepelente que faz as gotas ressaltar, a chuva lava o que chega ao solo e a luz solar e a evaporação degradam os ingredientes ativos. Estudos anteriores citados pela equipa indicam que até 90% de um pesticida pode nunca chegar ao alvo, obrigando a aplicações repetidas, com mais custos para o produtor e mais poluição.
A resposta veio da biologia. Algumas bactérias intestinais possuem estruturas minúsculas semelhantes a pelos, chamadas pili, que funcionam como pequenos ganchos e lhes permitem fixar-se às superfícies. A equipa copiou esse mecanismo: criou partículas ocas de sílica, revestiu a superfície com pequenas espículas e preencheu-as com o inseticida. Quando pulverizadas, as nanopartículas penetram na camada cerosa da folha e fixam-se como pequenas âncoras, formando ainda ligações de hidrogénio, ligações químicas fracas que reforçam a fixação.
“Esta dupla aderência ajuda o pesticida a permanecer no lugar, mesmo com chuva. Os dispositivos também libertam o pesticida lentamente e resistem aos danos dos raios UV, tornando-os ainda mais eficientes”, afirma Wang Guozhong, investigador do instituto, que considera que a formulação “pode ajudar a abrir caminho para produtos pesticidas verdes, de baixa dosagem e alta eficiência”.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































