Nos últimos dias têm-se registado diversos ataques de lobo ibérico em várias regiões sobretudo de Montalegre (Aldeia do Zebral, Vilarinho dos Arcos, Cervos, Meixide), vitimando bovinos, ovinos e equídeos. A situação atingiu um ponto em que os criadores já não sabem o que fazer para proteger os seus animais.
Hoje, basta um momento de distração para que ocorra um ataque. Os prejuízos acontecem tanto em terrenos vedados como em explorações em regime extensivo, mesmo quando existem cães de proteção. O lobo deixa um rasto de destruição que destrói anos de trabalho, investimento e dedicação.
Para comprovar a gravidade da situação, hoje foi possível avistar um lobo ibérico em plena luz do dia a circular junto ao centro da aldeia, tal como demonstram os vídeos em anexo. Este comportamento revela que o animal perdeu o receio da presença humana, aproximando-se cada vez mais das habitações e permanecendo à espreita de uma oportunidade para atacar.
Perante esta realidade, perguntamos: quantos mais ataques terão de acontecer para que este problema seja encarado com a seriedade que merece? Quantos mais animais terão de morrer? Quantos mais criadores terão de abandonar a atividade?
Se nada for feito, estaremos a assistir ao desaparecimento gradual da pastorícia. E quando a pastorícia desaparece, desaparece também a limpeza dos campos, aumenta a acumulação de combustível vegetal, agrava-se o risco e a intensidade dos incêndios rurais, perde-se biodiversidade e acelera-se a desertificação do interior.
Infelizmente, parece que muitos apenas compreenderão a importância destes homens e mulheres quando já for demasiado tarde. No dia em que deixarmos de produzir alimentos e dependermos cada vez mais do exterior, quando os campos estiverem abandonados e os incêndios forem ainda mais devastadores, perceber-se-á que proteger quem produz não era um favor, mas uma necessidade para o país.
Este é mais um apelo para que o Governo e as entidades competentes revejam, com urgência, as atuais políticas de gestão do lobo ibérico, adotando medidas eficazes que reduzam significativamente os ataques ao efetivo pecuário. É igualmente indispensável garantir que as indemnizações sejam processadas de forma célere, sem atrasos injustificados, e que reflitam o real valor dos prejuízos sofridos pelos produtores.
Enquanto estas questões não forem resolvidas, continuaremos a assistir ao agravamento da situação, ao abandono da atividade agropecuária, à desertificação do mundo rural e à destruição silenciosa de um setor essencial para a produção de alimentos, para a economia local e para a gestão sustentável do território.
Se os criadores forem obrigados a abandonar a atividade, também o próprio lobo acabará por desaparecer, pois não haverá território gerido e preservado pela presença humana.
Fonte: UPGALL












































