As emissões globais de gases no primeiro semestre, decorrentes dos incêndios, foram as mais baixas dos últimos 24 anos, no mesmo período, especialmente pela diminuição de fogos na África tropical, indica o serviço Copernicus.
Num balanço sobre as emissões de queima de biomassa no mundo entre 01 de janeiro e 30 de junho, o Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus (componente de observação da Terra do programa espacial da União Europeia) alerta no entanto que a situação pode mudar, por se ter começado a registar um aumento de incêndios na América do Norte mas também na Europa e Ásia.
A informação hoje divulgada em comunicado indica que o total (estimado) de emissões de dióxido de carbono (CO2) provenientes da queima de biomassa ficou pouco abaixo das 400 megatoneladas de CO2.
Por continente, África foi o maior emissor, com 154 megatoneladas, seguido pela Ásia, com 113 megatoneladas de carbono. As duas regiões têm longa tradição de incêndios agrícolas durante a estação seca.
Segundo o documento, na segunda quinzena de junho as emissões decorrentes dos incêndios florestais aumentaram substancialmente na América do Norte, com os raios a estarem na origem de grandes fogos nas florestas do Canadá.
O Serviço de Monitorização da Atmosfera alerta para os impactos das emissões provenientes dos incêndios florestais na saúde e no ambiente, e diz que são “uma preocupação global”.
Mark Parrington, cientista do Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus, afirmou citado no comunicado: “Os níveis recorde em baixa das emissões totais de queima de biomassa, no primeiro semestre, dão continuidade à tendência geral de queda relacionada com as alterações nos incêndios florestais na África tropical e na Ásia”.
Mas alertou também que o início de grandes incêndios florestais na Eurásia e na América do Norte nas últimas semanas de junho pode aumentar as emissões globais totais durante o resto do verão.
E acrescentou que as condições previstas para o El Niño (aquecimento das águas do oceano Pacífico) têm o potencial de aumentar as emissões globais de incêndios, como aconteceu em outros anos do fenómeno.
Em Portugal só nos últimos cinco dias, revelam os dados provisórios do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) consultados hoje pela Lusa, arderam mais de 15.000 hectares.
Desde o início do ano, arderam 30.155 hectares em mais de 4.500 incêndios e, em relação ao mesmo período de 2025, a área ardida quase quadruplicou, registando-se este ano a maior desde 2017.
Já os incêndios aumentaram este ano cerca de 70% em relação ao mesmo período de 2025 e verifica-se o maior número de fogos desde 2022.














































