B-Rural Summit aponta caminhos para atrair talento, reforçar a inovação e construir o futuro do setor agroflorestal e revela: Jovens agricultores impulsionam a agricultura portuguesa com mais de €1,5 mil milhões em investimento e 252 mil hectares sob gestão.
Mais de 10 mil projetos apoiados nos últimos 15 anos representam 16% do investimento agrícola nacional e confirmam o peso crescente da nova geração na transformação do setor.
- Jovens agricultores representam hoje um dos principais motores de investimento da agricultura portuguesa, com mais de 1,5 mil milhões de euros mobilizados em apenas 15 anos;
- Agricultura é um setor em desenvolvimento acelerado: produtividade do trabalho na agricultura aumentou 277% nos últimos 30 anos e salários do setor cresceram mais de 50% na última década;
- Especialistas e representantes do setor defenderam políticas públicas mais simples, melhor acesso à terra, maior previsibilidade dos apoios e reforço do investimento para garantir desenvolvimento de um setor moderno, dinâmico e vibrante que já dá cartas na economia mundial em vários segmentos;
- Inovação, tecnologia, comunicação e empreendedorismo são fatores decisivos para atrair jovens e aumentar a competitividade da agricultura nacional;
- Investir na instalação de jovens agricultores é investir na competitividade, na inovação e na resiliência da agricultura portuguesa;
- Apenas 4,7% dos dirigentes agrícolas portugueses têm menos de 40 anos, enquanto por cada agricultor jovem existem cerca de dez agricultores com mais de 60 anos;
- O B-Rural Summit concluiu que o futuro da agricultura em Portugal passa pela mobilização conjunta de empresas, instituições, decisores políticos e sociedade.
Nova geração agrícola ganha escala: 10 mil projetos, 1,5 mil milhões de euros e 252 mil hectares
O B-Rural Summit 2026 – um espaço de reflexão e debate sobre os desafios e as oportunidades do mundo rural promovida pelo setor agroflorestal e coordenada pela CONSULAI, identificou um conjunto de prioridades para reforçar a competitividade e construir o futuro do setor agroflorestal em Portugal: atrair talento, acelerar a inovação, simplificar as políticas públicas e direcioná-las para os grandes desafios do setor, bem como aproximar a agricultura da sociedade.
Durante o evento poi revelado que, nos últimos 15 anos, os jovens agricultores afirmaram-se como um dos principais motores do investimento e da renovação do setor agrícola português, sendo responsáveis por 16% do investimento total realizado na agricultura. Neste período, foram mobilizados mais de 1,5 mil milhões de euros, apoiados mais de 10 mil projetos e consolidada uma nova geração de empresários agrícolas que gere atualmente cerca de 252 mil hectares de superfície agrícola em Portugal. Estes indicadores demonstram o peso crescente dos jovens agricultores na modernização, competitividade e sustentabilidade do setor, contribuindo para a criação de valor e para a renovação geracional da agricultura nacional.
Especialistas, empresários, decisores e jovens profissionais e estudantes, reunidos em Lisboa e perante uma plateia cheia e atenta, convergiram na ideia de que o setor reúne hoje todas as condições para crescer, criar valor e afirmar-se como um motor de desenvolvimento económico, territorial, social e ambiental.
À procura de mais talento para continuar a crescer
Assumindo, a renovação geracional como prioridade do setor que já representa mais de 5% do PIB nacional, e tendo em conta que apenas 4,7% dos dirigentes agrícolas portugueses têm menos de 40 anos, o B-Rural Summit apontou os caminhos para superar este desafio: criar melhores condições para atrair talento, promover o investimento, acelerar a inovação e aproximar a agricultura da sociedade.
O consenso entre os vários participantes foi claro: o setor agroflorestal nacional dispõe hoje de bases sólidas para continuar a crescer, mas o seu futuro dependerá da capacidade de mobilizar pessoas, conhecimento e investimento em torno de uma visão comum.
Uma agricultura mais produtiva, tecnológica e com novas oportunidades para as pessoas
A apresentação do estudo “Evolução do Trabalho na Agricultura”, por Pompeu Pais Dias, consultor da CONSULAI, deu início aos trabalhos evidenciando a profunda transformação que a agricultura portuguesa tem vindo a viver nas últimas décadas.
Os dados mostram um setor cada vez mais produtivo e tecnologicamente evoluído, onde a produtividade do trabalho aumentou 277% nos últimos 30 anos, impulsionada pela mecanização, pela inovação e pela adoção de tecnologia.
A valorização do trabalho agrícola é igualmente evidente: os salários cresceram mais de 50% na última década e os trabalhadores estrangeiros representam atualmente mais de 40% da mão de obra, refletindo o dinamismo de um setor que continua a crescer e a criar oportunidades.
Políticas públicas para acelerar a renovação geracional
Na sessão dedicada às políticas públicas para a agricultura, Isabel Abreu Lima, da CAP, destacou o contributo dos jovens agricultores para a modernização do setor e defendeu um enquadramento mais favorável à instalação de novas gerações.
Entre as prioridades identificadas pela oradora, que sublinhou que a necessidade de trazer mais jovens para o setor é também uma prioridade da UE, estiveram uma Política Agrícola Comum mais simples, instrumentos de financiamento mais eficazes, maior previsibilidade dos apoios e melhores condições de acesso à terra, criando um ambiente mais favorável ao investimento e ao desenvolvimento de novos projetos no setor agroflorestal.
Inovação, comunicação e empreendedorismo para construir a agricultura do futuro
A mesa-redonda “Novas Gerações e Novas Ideias”, moderada por Rui Almeida, diretor da CONSULAI, reuniu José Maria Perdigão, da OFFCOUSTIC, Isabel Abreu Lima, da CAP, e Rui Quinta, fundador da WITH COMPANY.
Apesar da diversidade dos seus percursos, os intervenientes convergiram numa ideia central: a agricultura do futuro será cada vez mais inovadora, tecnológica e multidisciplinar.
A inovação, a comunicação, a capacidade de trabalhar em rede e o empreendedorismo foram identificados como fatores determinantes para reforçar a competitividade do setor e captar novos perfis profissionais. Os oradores defenderam igualmente que o setor agroflorestal deve comunicar melhor a sua realidade, valorizar os seus casos de sucesso e mostrar às novas gerações as oportunidades que hoje oferece em áreas como a gestão, a sustentabilidade, a engenharia, a tecnologia ou a comunicação.
Da inspiração à transformação: colaboração para construir o futuro
No momento de reflexão “Da Inspiração à Transformação”, a CONSULAI reuniu Henrique Silvestre Ferreira, presidente da AJAP, Mariana Franco, presidente da AEISA, Matilde Antunes, consultora da CONSULAI, e Mónica Onofre, responsável de Comunicação da CROPLIFE Portugal, contando ainda com o testemunho de Cristóvão Ferreira, distinguido como Melhor Jovem Agricultor de Portugal em 2020.
As diferentes intervenções reforçaram uma visão comum sobre os fatores que permitirão acelerar a transformação do setor: reforçar os apoios aos jovens agricultores, apostar na formação, valorizar o empreendedorismo e aproximar a agricultura da sociedade através de uma comunicação mais eficaz.
A partilha de conhecimento entre gerações, o fortalecimento das redes de colaboração e a divulgação de exemplos inspiradores surgiram igualmente como elementos fundamentais para tornar o setor mais atrativo e competitivo.
Competitividade, inovação e coesão territorial
Na entrevista que encerrou os trabalhos do B-Rural Summit, conduzida por Paulo Ferreira, do Observador, Álvaro Beleza, presidente da SEDES, destacou a agricultura como um dos setores estratégicos para reforçar a competitividade da economia portuguesa.
Beleza defendeu uma maior aposta na inovação, na tecnologia, na imigração e na coesão territorial como fatores essenciais para promover o desenvolvimento económico e criar novas oportunidades no interior do país, deixando também um apelo aos jovens para assumirem um papel ativo na transformação da agricultura portuguesa e afirmando a sua confiança no futuro e na capacidade de Portugal se impor como um dos grandes líderes mundiais.
Uma visão mobilizadora para o futuro
No encerramento do B-Rural Summit, Pedro Santos, diretor-geral da CONSULAI, sublinhou que a renovação geracional é um desafio que ultrapassa o setor agroflorestal e constitui uma oportunidade para reforçar o desenvolvimento económico e territorial do país.
O Diretor Geral da CONSULAI destacou que aproximar o mundo rural da sociedade, combater estereótipos e dar visibilidade às oportunidades existentes na agricultura e na floresta – a missão que o projeto B-Rural abraça, será determinante para atrair mais novos profissionais, fortalecer as empresas e assegurar a competitividade do setor.
Segundo Pedro Santos, para quem investir na instalação de jovens agricultores é investir na competitividade, na inovação e na resiliência da agricultura portuguesa, as diferentes sessões do B-Rural Summit 2026 demonstraram um consenso alargado: a agricultura portuguesa é hoje mais tecnológica, inovadora e qualificada, dispondo de condições para continuar a crescer e afirmar-se como um setor ainda mais estratégico para Portugal. O próximo passo passa, por isso por mobilizar talento, investimento, conhecimento e políticas públicas capazes de transformar esse potencial em desenvolvimento económico, sustentabilidade e coesão territorial.
Sobre o B-Rural
O B-Rural é financiado pela CONSULAI e cofinanciado pela Comissão Europeia. O B-Rural é apoiado institucionalmente por várias associações de produtores agrícolas e florestais – ALGARORANGE, ALPORC, ANIL, ANPOC, ANPROMIS, ANSEME, APOSOLO, BIOND, CAP, CONFAGRI, CROPLIFE PORTUGAL, FNAP, FNOP, OLIVUM, PORTUGAL FRESH e PORTUGAL NUTS.
Sobre a CONSULAI
A CONSULAI é uma empresa de consultoria em agribusiness. Conta com mais de cinquenta consultores especializados e, ao longo dos últimos vinte e cinco anos, tem colaborado com mais de dois mil clientes e parceiros no desenvolvimento de soluções de investimento, estratégia, inovação, comunicação e sustentabilidade.
Fonte: B-Rural e CONSULAI














































