O Centro Cultural de Belém (CCB) acolheu hoje a sessão de abertura do Olive Oil World Congress (OOWC), o maior fórum científico, institucional e empresarial do setor olivícola a nível global, que transforma Lisboa, durante os próximos dois dias, na capital mundial do azeite.
O encontro reúne mais de 300 investigadores, produtores, representantes governamentais e industriais de mais de cinquenta países para debater o futuro de um setor que enfrenta, simultaneamente, o desafio de satisfazer uma procura global crescente e o imperativo de produzir de forma mais sustentável.
A cerimónia de abertura foi presidida por José Manuel Fernandes, Ministro da Agricultura e Mar de Portugal, que afirmou: “É uma grande honra para Portugal acolher o Congresso Mundial do Azeite. Este evento reflete a crescente importância do nosso país como um dos principais produtores e exportadores de azeite do mundo. Representa também uma oportunidade única para reunir cientistas, produtores e decisores políticos com o fim de abordar os principais desafios enfrentados pelo setor, desde as alterações climáticas até à resiliência dos mercados, ao mesmo tempo que se promove a inovação, a sustentabilidade e o reconhecimento internacional do azeite português”.
A par do Ministro, Jaime Lillo, Diretor Executivo do Conselho Oleícola Internacional (COI), sublinhou: “A coincidência da segunda edição do Olive Oil World Congress com a reunião do Comité Consultivo e a sessão plenária do Conselho Oleícola Internacional permitiu reunir em Lisboa os principais representantes da produção, da indústria, da exportação e da investigação, juntamente com os responsáveis pelas políticas olivícolas e as empresas líderes do setor, transformando Lisboa, ao longo destes dias, na capital mundial do azeite e da azeitona de mesa”. Além disso, o Diretor Executivo do COI garantiu: “Trata-se de uma ocasião única para o encontro e diálogo de toda a comunidade olivícola, um espaço excecional para partilhar ideias e procurar soluções para os principais desafios do setor, muitos dos quais estarão no centro dos nossos debates estes dias e estão refletidos na Declaração de Córdova adotada no ano passado”.
A dimensão política do encontro foi evidenciada pela presença de Anton Refalo, Ministro da Agricultura, Pescas e Abastecimento Alimentar de Malta; Rezq Salimiya, Ministro da Agricultura do Estado da Palestina; e Rana Tanveer Hussain, Ministro da Segurança Alimentar Nacional e Investigação do Paquistão. O evento contou ainda com a presença de Julián Martínez Lizán, conselheiro de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural de Castela-Mancha (Espanha), em representação dos produtores desta região e do seu selo de garantia “Campo y Alma”.
A alimentação como problema e como solução
A conferência inaugural, sob o mote “O futuro do azeite num mundo em mudança: inovação, clima e procura global”, esteve a cargo de Fabrice DeClerck, cientista de referência da Comissão EAT-Lancet, organismo científico internacional que define os quadros de referência sobre dietas saudáveis e sistemas alimentares sustentáveis. DeClerck deu início à sua intervenção com um diagnóstico alarmante: “o sistema alimentar atual provoca cerca de 15 milhões de mortes prematuras por ano e é o principal responsável por ultrapassar os limites planetários, mas esse mesmo sistema é também a nossa maior oportunidade para inverter o rumo”.
Baseando-se na “Dieta de Referência Saudável Planetária” – cuja edição de 2025 incorpora a justiça alimentar como terceiro pilar, a par da saúde e da sustentabilidade -, o investigador posicionou o azeite como o óleo modelo para a transição dietética global, devido à sua riqueza em ácidos gordos monoinsaturados, bem como polifenóis bioativos associados a benefícios cardiometabólicos e à redução da mortalidade. DeClerck sublinhou também o seu valor cultural como facilitador da mudança de hábitos: “o azeite não é apenas um nutriente, é uma ferramenta de política de saúde pública e uma ponte para padrões de alimentação mais saudáveis para milhões de pessoas”.
O orador destacou as vantagens únicas do olival como sistema agrícola perene face a culturas anuais: captura de carbono a longo prazo, redução da erosão do solo, preservação da biodiversidade e fornecimento de serviços que beneficiam o ecossistema. Sublinhou também que as práticas regenerativas, como o coberto vegetal, a gestão integrada de pragas, a rega eficiente e a integração agroflorestal, podem converter o olival num aliado estratégico contra as alterações climáticas. O responsável encerrou a sua intervenção com recomendações aos intervenientes de primeira linha, desde agricultores e profissionais de saúde, a distribuidores e restauradores, apontando os bloqueios estruturais que devem ser superados para que a transição para sistemas alimentares mais saudáveis e sustentáveis seja real e equitativa.
Com esta inauguração, o OOWC deu início a duas jornadas de alto nível que abordarão temas como a genética e a produção de culturas, rega e fertilização, processos de fabrico, qualidade e segurança do produto, propriedades sensoriais do azeite virgem extra, relação entre o azeite e a saúde, bioeconomia, sustentabilidade, comércio internacional e gastronomia. O primeiro dia terminará esta tarde com uma prova de azeites de todo o mundo e um jantar de congressistas com entrega de distinções, enquanto o encerramento de sexta-feira, dia 3 de junho, colocará o ponto final no encontro com um painel de inovação para o olival e o azeite.
A presença e participação de representantes de diferentes continentes reflete a expansão global do consumo de azeite, impulsionada pela crescente consciência sobre a saúde e pela projeção internacional da dieta mediterrânica.
O Congresso conta com o apoio institucional do Conselho Oleícola Internacional (COI), do CIHEAM Zaragoza e da Fundação Dieta Mediterrânica, a par de entidades públicas como o Ministério da Agricultura e Mar de Portugal, a Junta de Castela-Mancha (‘Campo y Alma’), a Generalitat de Catalunya, a Junta de Andaluzia e o IMIDRA (Instituto Madrileño de Investigación y Desarrollo Rural, Agrario y Alimentario).
No âmbito privado, apoiam, para já, esta segunda edição, além da OLIVUM – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal -, entidades como o AgroBank, o BPI do Grupo Caixabank, a Interprofesional del Aceite de Oliva Español, o GEA Group, a Novonesis-Univar Solutions, a APOAC (Associação para a Promoção do Olival e Azeite de Aire e Candeeiros) com a sua marca comercial ‘Olivedos do Carso’, a Adsaica (Associação de Desenvolvimento das Serras de Aire e Candeeiros), a Feira de Saragoça (ENOMAQ), a Kubota, a Dazeite e a Siliker.
Fonte: Olive Oil World Congress














































